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Sorocaba, 23 de Novembro de 2020

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Sorocaba - Professores refletem sobre ética e moral

Notícia publicada em 22/07/2011



Notícia publicada na edição de 22/07/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 8 do caderno A

Regina Helena Santos
regina.santos@jcruzeiro.com.br

A importância de se questionar para que servirão, no futuro e no dia-a-dia, os conceitos ensinados aos alunos em sala de aula. Esse foi um dos principais pontos abordados pelos palestrantes da manhã no segundo dia de atividades do 13º Seminário Internacional de Educação, promovido pela Prefeitura de Sorocaba, que segue até a tarde de hoje no salão do Lar Escola Monteiro Lobato. A programação começou logo cedo e contou com palestras do escritor e filósofo Rubem Alves e da educadora Terezinha Rios.

Logo no início de sua palestra, Rubem Alves lembrou que esteve em Sorocaba há mais de dez anos. Num bate-papo com a plateia, no qual contou histórias de vida e aprendizados diversos, o escritor prendeu, com seus ensinamentos, a atenção dos 1,5 mil participantes por pouco mais de uma hora. "Quando ficamos mais velhos, a gente fica mais livre. Os professores jovens normalmente são amedrontados, não têm a liberdade de pensar, mas têm a obrigação de repetir modelos", comentou, referindo-se a um dos pontos que mais critica em seus trabalhos: a grade curricular. "Os currículos não existem para ensinar beleza. Só para ensinar a passar no vestibular, essa coisa imbecil que alguém inventou um dia. Se eu fizer o vestibular hoje eu não passo, nem nenhum de vocês. Porque somos inteligentes, nossa memória não guardou o que era inútil. O vestibular é o grande monstro da educação brasileira. Luto para acabar com ele há 30 anos, quando comecei a escrever sobre isso", disparou. "Fujam dos burocratas. Vocês não devem nada a diretores, a ministros. Vocês devem às crianças", falou e foi saudado com palmas pela plateia. Depois do fim de sua apresentação, Rubem Alves comentou que acredita que o primeiro passo para a transformação da escola e das práticas de ensino atuais - que focam, especialmente, em avaliações e na preparação para o ingresso na faculdade - deve ser dado pelos alunos e pelos professores. "Eu brinco com os alunos que a tarefa é deles. Eles têm que começar a fazer greves, movimentos revolucionários. Mas também os professores, que de vez em quando fazem merecidas greves por salários melhores - e é muito justo isso - deveriam ampliar as reivindicações e incluir transformações nos currículos, porque o que as grades curriculares obrigam hoje em dia é absolutamente sem sentido. Todos sofrem muito."

Além das reflexões sobre currículo e formato da educação, o escritor também falou a respeito dos conteúdos que, realmente, interessam aos alunos. "As crianças não aprendem nada porque as coisas que ensinam na escola não têm nada a ver com a vida delas. Ao invés de usar o laboratório da escola, a casa é um grande laboratório. Ensinar a fazer uma instalação elétrica, hidráulica, a usar uma caixa de ferramentas é um grande laboratório". Para o escritor, a chave é refletir se o conteúdo ajudará os estudantes a vencer os desafios da vida. "É só responder à pergunta: o que a criança vai fazer com isso? Se nada, então não precisa ser ensinado." Para finalizar, Rubem deixou uma das maiores lições sobre o que realmente importa quando o assunto é educação escolar. "O aluno precisa aprender a ler. Quem sabe ler tem passaporte gratuito para o mundo."

Na sequência da programação da manhã, a educadora e mestre em filosofia Terezinha Rios falou sobre ética na educação, com uma dinâmica que promoveu a reflexão por parte da plateia sobre o tema. "Pensar sobre o nosso trabalho nós fazemos sempre, o tempo todo. Mas refletir, nem sempre." A professora destacou a importância de se distinguir ética de moral e de não utilizar esses conceitos apenas da boca para fora. "A definição de costume, comum aos dois, é o que aproxima os conceitos. Mas os costumes se sustentam em valores - como ir à escola, ter profissão, ser fiel - que, quando qualificados como bons, constituem a moral, um conjunto de regras e normas, sustentadas em valores para a vida em sociedade", explicou. "Já a ética é a reflexão sobre estes valores. Enquanto a moral diz: "faça isso", a ética pergunta: "por que fazer?". Onde a moral diz: "é para o seu bem", a ética diz: "só se for para o bem comum"." E esse conceito, segundo Terezinha, precisa começar - ou voltar - a fazer parte do ambiente escolar. "No campo da educação, a ética tem urgência em estar presente. Ética é algo que é ensinado por todos os professores, mas não da mesma maneira que as outras disciplinas. O gesto é que ensina. As escolas têm uma preocupação com a presença da ética, mas nem sempre concretizam isso no preparo dos professores, no planejamento que fazem." Na linha do que já havia sido abordado por Rubem Alves, Terezinha também fez questão de destacar a importância do educador se questionar o porquê do ensino de determinado tema. "Nos preocupamos muito com "o quê?" e "como?". Precisamos focar mais no "para quê"? Por que só fazemos aos alunos as perguntas para as quais já temos respostas? Por que não ousamos buscar respostas juntos?", provocou. Terezinha acredita que reflexões deste tipo são fundamentais para auxiliar na transformação do formato da educação. "Não ensinar se não aceitar o currículo, ou o que não faz sentido, é difícil. Mas é esse debate que vai fazer com que as coisas comecem a mudar."

Programação continua

As atividades do 13º Seminário Internacional de Educação continuam hoje, a partir das 8h, com recepção e café da manhã, que terão mesa presidida pelo presidente da diretoria-executiva da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA)/Jornal Cruzeiro do Sul, Laelso Rodrigues. Na sequência acontecem as conferências "Liderança, Gestão Escolar e Pedagógica: o desafio de fazer acontecer", pelo pedagogo e psicólogo Júlio Furtado, e "Educar em uma sociedade líquida", com o psicólogo e patrono do comitê espanhol da Unicef, Javier Urra. Após o almoço outras duas apresentações acontecem à tarde, fechando o evento: "Viver a escola", com o mestre em Ciência Política e doutor em Ciências da Comunicação, professor Clóvis de Barros Filho e "Viver é como velejar: vale vencer", pelo iatista Lars Grael.


Fonte: http://portal.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=316438


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