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Sorocaba, 21 de Agosto de 2019

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Sorocaba - Dividir as dores pode ser reconfortante

Notícia publicada em 30/04/2010



Poucos a encaram com naturalidade. A única certeza da vida - a morte - é tratada como um processo adiável nas nossas mentes, como se - não pensando nela - pudéssemos evitá-la. Não é assim. E quando ela chega, mesmo após um longo e doloroso aviso de sua aproximação, deixa dores, tristeza e vazio de uma saudade que não se sabe como e nem quando vai passar. Essa sensação obscura do processo inicial do luto é mais difícil para uns, menos para outros e com sensações completamente distintas a cada indivíduo que perde uma pessoa querida. O certo é que, assim como dividir alegrias é prazeroso, dividir dores pode ser reconfortante.

E é assim, acolhendo as dores um do outro mediante orientação profissional de uma psicóloga que as pessoas que participaram de um grupo de apoio a enlutados conseguiu passar pelos difíceis momentos das perdas. Buscar um novo sentido para a vida de quem tem que se despedir de alguém querido foi o propósito da psicóloga e especialista em Tanatologia (estudo do processo de morte e morrer), Zilda Moretti, ao criar o Grupo de Apoio a Pessoas Enlutadas (Gape), que até agora já trabalhou com quatro grupos.

O verbo que Ana* usa para definir esse apoio é nortear. Para ela isso resume o efeito dos encontros em grupo. É como ter uma nova vida, com menos dor, porque a morte vai sendo desmistificada ao longo das reuniões. Para Maria*, também participante do grupo, as conversas com pessoas que passaram por situações semelhantes à sua e as dinâmicas ministradas por Zilda a fizeram olhar para a morte e entender que ela acontece o tempo todo. Entendimento que não é fácil para a ruptura que tanto uma como a outra tiveram que enfrentar: a morte de um filho. Numa espécie de escala de dor por perdas, elaborada por profissionais da psicologia e psiquiatria do mundo todo, a dessa separação - pela morte de um filho - está em primeiro lugar.

O despreparo das pessoas para lidar com temas relacionadas à morte é mais um detalhe que incide sobre a dificuldade de superação. Além da dor da separação em si, quem passa por um processo de luto encontra-se numa sociedade despreparada para as diversas manifestações de pesar de quem fica. As pessoas vivem a maior dor sem saber como lidar. E a sociedade contemporânea reprime as manifestações de luto e ao mesmo tempo julga aqueles que escondem suas dores. É muito difícil encontrar acolhimento, comenta Zilda.

Essa percepção a psicóloga adquiriu durante o trabalho que realiza a respeito de cuidados paliativos a pacientes com doença crônica degenerativa e que tem como maior objetivo possibilitar qualidade de vida dentro da terminalidade do diagnóstico. O foco principal, nesse tratamento paliativo, é o paciente, mas consequentemente a família também sofre os efeitos positivos do suporte emocional que o doente recebe.

Quando acontece do paciente morrer, encerra-se o contato da equipe de cuidados paliativos com os familiares. As pessoas ficam desamparadas e daí veio meu desejo de trabalhar com quem que tem que passar pelo doloroso processo de luto. Depois de algum tempo, diz a psicóloga, as pessoas próximas aos enlutados seguem com suas vidas, o que é natural, e as famílias ficam, geralmente, sem espaço para falar dessa dor. Oferecer uma oportunidade de falar da dor da perda, sem julgamentos, com respeito ao tempo único e pessoal de cada participante para lidar com situações que envolvem o momento fazem parte do conforto que as reuniões em grupo com a psicóloga proporcionam.

Identificação

Maria sente-se desconfortável quando as pessoas devolvem ?um olhar de pena e Ana tenta ser mais compreensiva em relação à postura de quem está de fora do acontecimento. É que as pessoas não sabem como se comportar diante de uma situação para a qual não são preparadas. Lembro de uma amiga que me levou um bolo e não conseguia dizer nada, só chorava. Aquilo me comoveu e até me confortou porque senti que ela compartilhava minha dor. Isso já foi o suficiente. É que mesmo que a intenção seja ajudar e mostrar solidariedade, muitas pessoas não sabem lidar com o pesar de quem sofre com a perda de alguém. Já chegaram a perguntar se eu podia ter outros filhos. Isso machuca, porque nenhum filho, ninguém pode ser substituído, comenta Mariana*, outra participante do grupo.

Um gesto, um sorriso, uma palavra são capazes de minimizar dores, garante a psicóloga, mas o processo de identificação é o que possibilita as pessoas se preencherem de coragem, energia e força para superar. A vontade é de falar a quem passa por situação semelhante: ?a sua dor é minha também. Outras pessoas que não passaram por isso e dizem ?imagino o que você está sentindo. Mas não é verdade. Só sabe o que é quem passou por isso, completa Mariana. Por isso acho super importante que as pessoas participem desses encontros. Quero levar essa mensagem hoje a quem puder. O grupo fortalece e as pessoas precisam saber que ele existe.


Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=33&id=289497


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