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Sorocaba, 02 de Dezembro de 2020

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Cine Café exibe Tropicália

Notícia publicada em 13/11/2012



Cine Café exibe Tropicália

Mesmo depois de mais de 40 anos, o Tropicalismo soa como uma complexa inovação cultural, dessas que nunca é demais se falar, se discutir, ver e ouvir. Tanto que o diretor Marcelo Machado decidiu ceder aos encantos do movimento e apostar no tema, fazendo dele seu mais atual trabalho, o documentário "Tropicália", lançado esse ano e que será exibido hoje durante o Cine Café, às 19h, no Sesc Sorocaba. O evento contará com a presença do próprio Marcelo Machado, que após a exibição do documentário fica para o "Cinema em Reflexão", um bate-papo com o público que tem também tem a companhia do cineasta Marcelo Domingues, curador do Cine Café.

O filme "Tropicália" mostra um dos mais importantes movimentos artísticos musicais do país, o Tropicalismo, liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil e formado por artistas como Tom Zé, Rita Lee, Gal Costa, Arnaldo Baptista, Rita Lee, entre outros, no final dos anos 1960. O documentário, que tem Fernando Meirelles como produtor-executivo, resgata uma fase histórica do Brasil em que os festivais musicais fervilhavam e revelavam novos talentos, porém em uma época que a livre expressão enfrentava seu grande empecilho: a ditadura. O mais interessante é que o filme traz imagens inéditas, no mínimo raras, que surpreendem os espectadores.

O diretor já levou o filme para alguns festivais internacionais (Estados Unidos, Argentina, Suíça, Coréia, Itália e Portugal) e na semana passada acertou um distribuidor internacional que fará a parte comercial de divulgação: cinemas, televisões, DVDs. Durante uma viagem de ônibus, no domingo, quando ia de Araraquara a São Paulo, Marcelo Machado deu uma entrevista ao Mais Cruzeiro. Confira:

P - Você viveu a Tropicália na sua infância? Que recordações e impressões tem daquela época?

R - Lembro de uma tia jovem e moderna que morava em São Paulo cantando "Alegria Alegria". Eu morava no interior e tinha 10 anos em 1968, teria ignorado tudo isso se não fosse a televisão. Mas fui adolescente nos anos que se seguiram e alguns desses artistas viraram meus ídolos. Gostava de música e ouvi ao vivo quase todos eles na década de 1970.

P - O que você descobriu ao fazer "Tropicália", que tem como ponto forte o fato de ter muitas imagens inéditas? Acabou por pensar de forma diferente do que pensava antes a cultura do nosso país?

R - A pesquisa foi longa e muitas histórias foram sendo reveladas, coisas ligadas ao material que fomos recuperando. Mas acho que a primeira grande descoberta foi a figura do Rogério Duarte (produzia cartazes para filmes de Glauber Rocha e foi um dos "cabeças" do tropicalismo, é autor do livro "Tropicaos", de 2003, em que além falar sobre o movimento artístico aborda os aspectos menos românticos daqueles anos, como a prisão e a tortura), que não era só um "designer", mas um homem de ideias fortes e que influenciou o pensamento do Caetano Veloso, do Glauber Rocha e muitos outros. O Tom Zé disse que tinha até medo de ser "comido" por ele: a fala segura e assertiva, as ideias arrojadas e um grande namorador. Acho que não mudei minha forma de ver o país, mas reforcei a crença na originalidade da nossa cultura, de aspectos tão únicos e singulares do que somos e de como o mundo olha com respeito esse traço, mesmo não entendendo muito bem. Por sinal, nós também não nos entendemos muito bem.

P - Você teria reconhecido que o filme "Tropicália" é mais uma celebração que uma crítica. Você preferiu assim, deixar a crítica de lado, ou não vê nada para ser criticado nesse movimento musical/cultural?

R - Não deixei a crítica de lado, está na montagem, está na forma como mostramos o material. A questão do movimento ter cedido ao apelo comercial e ter deixado de lado algumas inquietações. É que não me dediquei a fazer uma análise intelectual ou tentar organizar ideias que pusessem em cheque o movimento: quis trazer a luz o máximo de material que permitissem ao público fazer suas próprias análises ou críticas.

P - Quais os resquícios, na atualidade, do tropicalismo?

R - Resquícios? Bom, o hibridismo é uma marca da cultura contemporânea. Veja na música quantos gêneros de um lado do mundo influenciam o outro. Remixes, versões, misturas. Isso era novo na época e representava uma ideia forte de que o Brasil devia se abrir as influências e incorporar o que vinha de fora, o novo, o avanço técnico, tecnológico. E fazer isso sem deixar de olhar pra dentro, pra si mesmo, se conhecer melhor, se reconhecer.Vocês não acham que nós ainda precisamos de tudo isso?

P - O que tinha de tão bacana no tropicalismo que atualmente não tem mais?

R - Tinha uma polarização que levava as pessoas a ter que se posicionar. O momento era de definição de caminhos e o Brasil seguia o mais duro deles, a ditadura. O interessante é que essa polarização era também enganadora e os tropicalistas nos lembravam que o país era multifacetado, mais contraditório e intrincado que ali apresentado. Então havia essa polarização (colônia-metópole, direita-esquerda, careta-maluco) e também essa descoberta, que eles faziam juntos de que os pólos eram redutores de uma realidade mais complexa. Hoje sabemos da complexidade, mas estamos mais isolados nas nossas redes, estamos completamente fragmentados em múltiplas opiniões que ao que me parece, nos imobilizam.

P - Afinal, o brasileiro entende de fato o que foi a Tropicália, o movimento?

R - O brasileiro não está preocupado com isso. O brasileiro ouve sertanejo e quer comprar caminhonete 4X4. Não reconhece o direito dos índios, joga latinha pela janela do carro, não quer estudar e quer ganhar dinheiro fácil. O país não se modernizou, vive de comodites, exporta minério, soja, carne. Movimento? Sim, estamos girando em falso.

P - "Antes de tentar entender o tropicalismo, precisamos nos entender como nação", disse você em uma de suas entrevistas. O brasileiro, seja jovem ou adulto, tem maturidade para se entender como nação? O que falta para que todos nós nos entendamos como nação?

R - Sou um documentarista e não um sábio ou intelectual que estude em profundidade o caráter nacional (como o Sérgio Buarque de Holanda em "Raízes do Brasil" ou o Francisco de Oliveira em artigo recente na revista Piauí). Não tenho uma receita. Mas sei que esse entendimento passa pelo conhecimento da nossa história: ainda não superamos traços marcantes da escravidão, não cultuamos nossa raíz indígena, não digerimos os traços arrogantes e venais deixado como herança por um elite folgada e predatória que vem desde o império se valendo de favores, cumpadrismo, nepotismo e muito preconceito. Falta educação no sentido de maior conhecimento da nossa história, da geografia, da ciência e da própria cultura.

Serviço

CineCafé
Exibição do filme "Tropicália"
Hoje, às 19h
Teatro do Sesc
rua Barão de Piratininga, 555, Jardim Faculdade
Entrada Gratuita - os ingressos serão distribuídos uma hora antes da exibição, na Central de Atendimento. Apenas dois por pessoa.
Indicação: 12 anos
Mais informações: (15) 3332-9933/www.sescsp.org.br 


Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=433726


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