


Adicionada em 29/09/2011 - Visualizações 527
Notícia publicada na edição de 28/09/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 006 do caderno A
Priscila Fernandes
priscila.silva@jcruzeiro.com.br
Há um ano o metalúrgico aposentado Sérgio Tadeu Costa, 62 anos, sofria com uma rouquidão permanente. "Não atendia telefone, nem andava mais com o celular", lembra. Isso mudou depois que Costa foi submetido a um procedimento inédito em Sorocaba. A cirurgia do arcabouço laríngeo foi realizada no Hospital de Otorrinolaringologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) no dia 18 de agosto e o paciente já sente as melhoras. "Estou muito bem.Antes não conseguia nem contar até vinte", conta pelo telefone.
A cirurgia é feita com anestesia local, dura cerca de duas horas e o paciente fica acordado durante todo o procedimento. De acordo com o médico que realizou a cirurgia, Gustavo Haruo Passerotti, uma prótese de silicone é colocada no paciente para efetuar uma medialização das cordas vocais. Costa precisou conversar com os médicos que foram tentando encontrar o ponto certo para a sua voz. "Fiquei um pouco apreensivo no início, mas correu tudo bem. Me senti confortável", revela o aposentado.
O procedimento é recomendado para pessoas que tenham sofrido danos e paralisias nas cordas vocais, como ocorre em alguns indivíduos que tiveram um acidente vascular cerebral (AVC). No caso do metalúrgico aposentado, a paralisia passou despercebida por algum tempo. "Eu achava que fosse uma gripe, que estava apenas rouco, mas não passava nunca. Quando fui ao médico descobri que uma das cordas vocais (do lado esquerdo) estava paralisada", relata Costa. O motivo que provocou o trauma nunca foi descoberto, mas os médicos supõe que uma gripe (ou resfriado) que não teve uma recuperação bem sucedida possa ser a culpada.
Os riscos para os que se submetem à cirurgia são considerados pequenos. "Podem surgir lesões na pele, já que alcançamos as cordas vocais através de um corte na parte externa do pescoço. Quelóides e cicatrizes podem aparecer em pacientes que tenham tendência. Outra possibilidade, apesar de rara, é a de que o implante de silicone seja rejeitado pelo corpo ou de que a pessoa tenha uma insuficiência respiratória. Todo procedimento que mexe nas cordas vocais pode provocar essa reação, que não é comum", explica Passerotti.
Sérgio, conta que o processo para ter o procedimento aprovado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) levou cerca de dois meses, mas a indicação para a cirurgia só veio após uma avaliação completa feita pelos médicos do BOS. "Fiz vários exames e tomografias. Como tenho hipertensão, também precisei passar pela avaliação de um cardiologista", diz Costa, que se sentiu bem acolhido durante o tratamento "a equipe foi maravilhosa. Todos foram ótimos comigo".
De acordo com o médico, a recuperação total de Costa ainda depende de terapia com fonoaudióloga, mas a evolução tem sido satisfatória."Pude perceber que a voz dele esta muito melhor", afirma.
Para Passerotti, a grande vantagem da realização dessa cirurgia em Sorocaba é que os pacientes poderão ser operados aqui mesmo - na cidade em que fazem o tratamento. O diretor clínico do BOS, Dr. Mário Perez, conta que o hospital fica feliz com esse avanço. "Restabelecer a integração social do paciente é muito importante", diz o diretor.
Fonte: http://portal.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=332230
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