


Adicionada em 01/09/2011 - Visualizações 732
Médicos sorocabanos credenciados a convênios com planos de saúde paralisam o atendimento a partir de hoje para reivindicar maior repasse no valor de consultas e procedimentos médicos. Ao todo, 15 empresas do setor terão atendimento interrompido: Alianz, Amil, Apas, Bradesco Saúde, Engepron, Funserv, Fusex, Intermédica, Mediplan, Mediservice, Multicare, Notre Dame, Sanamed, Santa Casa Saúde e SulAmérica. A paralisação programada foi definida durante assembleia geral realizada na quinta-feira passada, dia 25 de agosto, na sede da Sociedade Médica de Sorocaba.
Conforme o médico ortopedista Eduardo Luís Cruells Vieira, diretor da entidade, o movimento não se trata de uma greve, mas de interrupções pontuais dos atendimentos, de acordo com as especialidades médicas em dias específicos (confira no quadro ao lado). Ele explica que os médicos tentaram negociar, mas a maioria dos convênios sequer deu uma resposta ou mostrou-se interessada. Assim, serão penalizados os convênios que já haviam sido definidos pela Associação Paulista de Medicina (APM), acrescidos dos que atuam localmente e não negociaram com os médicos. "A intenção não é prejudicar o usuário, por isso os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos", afirmou.
Apesar disso, de não ser a intenção dos médicos, o paciente acabará sendo prejudicado, pois atualmente demora-se em média dois meses para uma consulta, dependendo do convênio. Sendo assim, quem esperou muito tempo para ser atendido, terá de remarcar a consulta e esperar mais dois meses. Há casos de pacientes com dor, que acabam até mesmo se automedicando em vista da demora, correndo o risco de aumentar as complicações.
Para o diretor da Sociedade Médica de Sorocaba, as pessoas precisam saber que existem convênios que cobram caro do paciente e não repassam os valores para os médicos, afetando a qualidade do atendimento. "Hoje em dia, é quase impossível manter um consultório próprio porque, ao contrário dos custos que aumentam a cada ano, nos últimos 10 anos, os repasses, tanto das consultas, como dos procedimentos, se mantiveram no mesmo patamar", argumenta Eduardo Vieira.
Ainda de acordo com ele, em outros países, um plano de saúde tem 5% de lucro, mas no Brasil chega a 20%. "Isso em cima do trabalho que o médico faz. Se acontece algo errado, a gente que é processado e não o convênio, entende? Os convênios também usam artimanhas para demorar ou adiar cirurgias e o usuário não tem ideia disso. Hoje em dia, uma pessoa que vai filmar o parto recebe mais do que quem faz o parto, sendo que as responsabilidades são bem diferentes", desabafa.
Atualmente alguns convênios repassam ao médico R$ 20 por consulta. "Absurdo dos absurdos", enfatiza. A média de repasse chega a R$ 38. "Nossa intenção é que haja um reajuste progressivo, até R$ 60 em dezembro de 2011, chegando a R$ 80 em 2012", diz. Em comparação com o repasse de hoje, a meta é chegar a um reajuste de 110%.
Eduardo Vieira não acredita que o aumento do repasse para os médicos acarrete em um reajuste do valor dos planos de saúde, já tão altos para quem precisa. "Aumentando o repasse aos médicos isso iria reduzir o lucro deles, mas de qualquer forma, eles sempre realizam reajustes nos valores do convênio e esses reajustes não são repassados aos médicos. Uma alternativa para os convênios seria trabalhar melhor a gestão, a verdade é que remuneração dos médicos não interfere tanto. Acredito que as entidades de defesa do consumidor deveriam ficar mais atentas a esses abusos e apoiar a causa dos médicos porque o profissional melhor remunerado faz um serviço melhor", diz.
O médico ainda afirma que ele e outros profissionais já ouviram dos convênios a seguinte argumentação: "se não concorda, descredencie". "Mas não é assim que funciona. Na área da saúde a lei da oferta e da procura não é o melhor parâmetro. Quanto mais oferta, mais barato, mas o médico não é um produto, ele estabelece uma relação delicada com os pacientes e que envolve riscos, é muito sério", observa.
Manifestação
No dia 7 de abril deste ano, o atendimento médico por meio dos convênios de saúde foi paralisado em todos os Estados do Brasil, mobilizando em torno de 160 mil médicos. Sorocaba também participou da manifestação, criada para chamar a atenção da população em relação às condições de trabalho dos médicos no sistema privado de Saúde e a diferença nos reajustes dos valores destinados às consultas e serviços de atendimentos praticados pelos profissionais em comparação ao aumento das mensalidades e do faturamento do setor.
Nos últimos sete anos, segundo dados do Conselho Federal de Medicina, a captação das operadoras cresceu 129%, contra 44% de reajuste no valor das consultas. Em Sorocaba, a manifestação contou, ainda, com uma audiência pública na Câmara Municipal. É necessário enfatizar que novamente neste mês o movimento não é apenas em Sorocaba, porém não são todos os médicos conveniados que aderiram à paralisação, portanto para quem tem consulta agendada, o ideal é ligar para o consultório do médico e perguntar se ele irá atender.
Datas de paralisação
por especialidade
1 a 3 Ginecologia e Obstetrícia
8 a 10 Otorrinolaringologia
14 a 16 Pediatria
16 a 19 Cardiologia
19 a 20 Ortopedia e Traumatologia
21 a 23 Pneumologia e Tisiologia
28 a 30 Cirurgia Plástica
Fonte: http://portal.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=326095
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