


Adicionada em 28/02/2011 - Visualizações 1008
"Estar no time tem que ser motivo de orgulho e vestir a camisa uma oportunidade única. Eles não estão só jogando bola, estão representando um bairro". É assim, em tom de decreto, que o comerciante Eduardo Brito, 27 anos, se refere ao time de futebol varzeano da Vila Helena. Num campeonato onde torcedores e jogadores muitas vezes moram na mesma rua, a forma de torcer é única. Neste domingo (27), para a alegria desses torcedores, começou mais uma Taça Cidade.
A abertura do torneio foi feita no estádio Walter Ribeiro (CIC), no confronto entre o atual campeão Vila Helena e o Paranazinho. Eduardo, que torce para o São Paulo entre os grandes, afirma que sua relação com o Vila Helena vai muito além. "É algo totalmente diferente. Pelo São Paulo eu torço, apóio, mas com o Vila Helena é paixão. Conheço os nomes dos jogadores não porque vi no jornal, mas porque fui moleque junto com eles nas ruas do bairro. Se um dia o Vila enfrentasse o São Paulo, não haveria nenhuma possibilidade de eu ficar na torcida tricolor", relata.
O comerciante Jeferson Biro, 30, explica que diferente do futebol profissional, onde jogadores se encontram com os torcedores acenando de dentro de carros blindados, no varzeano a relação se dá nos churrascos de final de semana. "Estamos cobrando diretamente do jogador. O sentimento é de que, como torcedores, temos o poder de influenciar diretamente. Podemos cobrar raça, dedicação. Fica complicado para um jogador tirar o pé de uma bola e ter de encarar a reprovação da torcida durante toda a semana no bairro onde ele mora."
No limite da razão /O estádio Walter Ribeiro representa uma passagem atípica do campeonato varzeano. Normalmente as partidas ocorrem nos campos nos bairros, com pequenos alambrados dividindo o campo da torcida. Invasões de gramado, árbitros agredidos e jogadores que chegam a sair de campo para tirar satisfação com torcedores são cenas comuns e muitas vezes os jogos se transformam em verdadeiros barris de pólvora.
"Futebol mexe com os nervos de um jeito difícil de explicar, mas no final das contas até quando o torcedor e o jogador batem boca, é pelo bem do time. No varzeano, qualquer coisa para baixo do pescoço é canela. Pelo menos é isso que cobramos dos jogadores. Aqui não há espaço para frescura e preciosismo", afirma o vendedor Caio Teixeira, 43.
Dois grupos
No grupo A da Taça Cidade 2011 estão: Avenida, América, Paulistano, Canto do Rio, Comercial, Ipê, Jardim dos Estados e América Lopes de Oliveira. No grupo B, estão: Aparecidinha, Santa Cruz, Barcelona, João Romão, Alvorada, Nova Esperança, Cajuru, Gunhê, Palestra e Nova Sorocaba. Os quatro melhores de cada grupo disputam a etapa final
Fonte: http://redebomdia.com.br/Noticias/Esporte/46836/Torcedores+e+vizinhos
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