


Adicionada em 10/01/2010 - Visualizações 1228
Um dos grandes benefícios proporcionados às artes e à cultura sorocabanas pela Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba (Fundec), ao longo de seus dezessete anos de existência, foi a possibilidade de sedimentação e constante aperfeiçoamento de um vasto e democrático projeto de formação artística e difusão cultural.
A Fundec tem sido uma resposta positiva a um dos problemas mais graves da área cultural no âmbito do poder público, que é a descontinuidade dos projetos e ausência de políticas de médio e longo prazos, causadas, no mais das vezes, pela revisão dos objetivos e prioridades a cada troca de governo e até mesmo por um certo orgulho político-partidário, que impede um governante de dar sequência a iniciativas interessantes levadas a efeito pelo antecessor.
Sorocaba perdeu bons eventos e projetos nas últimas décadas, de acordo com o humor e a concepção de cultura de quem estava no Palácio dos Tropeiros, e o exemplo mais tangível disso é o desfile das escolas de samba, que simplesmente foi desativado por oito longos anos, para depois ser retomado num estágio muito mais atrasado do que estava quando parou. Outra iniciativa que marcou época, o Projeto Ícaro de Teatro - que colocava diretores experientes à frente de grupos formados por jovens aspirantes a ator, para a produção de espetáculos - foi sepultado sob protestos do meio cultural, sem muitas explicações.
Enquanto isso, as atividades colocadas sob o guarda-chuva da Fundec - dentre as quais se destacam a manutenção da Orquestra Sinfônica e do Instituto Municipal de Música de Sorocaba (IMMS) - vieram num crescendo, escancarando as portas das artes para milhares de jovens sorocabanos e conquistando um público numeroso para a música, as artes visuais e o teatro. A continuidade das ações - proporcionada, é bom destacar, pelos prefeitos que, sem exceção, compreenderam a importância desse trabalho e mantiveram o apoio financeiro à instituição - assegurou a ampliação gradativa das atividades e conquistas valiosíssimas, como o próprio IMMS (fundado em 1998) e a Sala Fundec, espaço privilegiado para a música em pleno coração da cidade, inaugurado em novembro de 2007.
Uma prova do dinamismo da Fundec é o balanço das realizações de 2009, apresentado pela diretoria presidida por Luciano Viana de Carvalho, que acaba de encerrar um profícuo biênio à frente da entidade. Foram 138 eventos no ano que passou, entre concertos da Orquestra Sinfônica, audições dos alunos do IMMS, aulas didáticas da orquestra e apresentações da Banda Sinfônica, dos corais adulto e infantil, da Orquestra Orff, do curso de Musicalização Infantil e dos grupos instrumentais (de choro, cordas, MPB e jazz, metais, piano e violão, percussão e flauta, trio de violões e duo de flauta e piano), exposições de artes plásticas e fotografia, espetáculos e lançamentos.
Mais importante que o número de eventos ou o volume de pessoas que acorreram para prestigiá-los (aproximadamente 34 mil), entretanto, é o contexto em que eles aconteceram, de valorização dos talentos locais, de aprendizado para os artistas e para o público e de constante (re)descoberta da arte. Um contexto que a nova diretoria da instituição, sob o comando de Geraldo Ricci, pretende manter e, se possível, expandir, com o auxílio do público e da iniciativa privada.
A busca de apoio cultural junto às empresas é um projeto viável, que já foi testado com sucesso pela Fundec, quando da construção de sua sala de espetáculos, viabilizada basicamente com recursos do setor privado. Desde que se ativem mecanismos de benefícios fiscais como a Lei Rouanet, certamente os empresários locais não hesitarão em colaborar com a instituição, fazendo de sua agenda artística um instrumento para a divulgação de suas marcas e a consolidação de vínculos com um público tão receptivo quanto numeroso.
Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=49&id=254912
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