


Adicionada em 03/12/2009 - Visualizações 1641
O ex-secretário de Administração da Prefeitura de Sorocaba (Sead), engenheiro Januário Renna, será sabatinado 6ª FEIRA (4) pelos senadores Magno Malta (PR-ES) e Romeu Tuma (PTB - SP), presidente e vice, respectivamente, da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedofilia (CPI), em audiência pública marcada às 14h30 no Colégio Recursal do Fórum de Sorocaba, localizado no 2.º andar. Ninguém sabe ao certo se ele, - que permanece preso na Penitenciária "Antonio de Souza Neto", a P2 -, "abrirá a boca". Porém, o seu comparecimento ao local é obrigatório, sob pena de convocação coercitiva.
O promotor Wellington dos Santos Veloso, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), - um dos responsáveis pela denúncia contra Renna -, acompanhará a sabatina. O mesmo será feito pelo advogado de defesa do acusado, o criminalista Mário Del Cístia Filho. Há duas semanas, Malta esteve em Sorocaba e conversou com Renna na P2. Lá, o parlamentar chegou a oferecer benefícios oferecidos pela lei, caso o réu cooperasse com os trabalhos da CPI, numa espécie de delação premiada. O engenheiro agradeceu a proposta e ficou de pensar com a família e com o próprio advogado. "Se ele vai falar ou não, isso é uma incógnita", disse o promotor Veloso.
Durante a sua rápida visita à cidade, no dia 20 de novembro, Malta interessou-se pelo resultado da perícia feita nos computadores do acusado, que ainda não estava concluso. "A perícia dos computadores oferece duas coisas significativas, entre elas a criminalização da posse, que é uma lei recém-sancionada. Havendo material pornográfico no computador, o réu pode pegar até oito anos de prisão. Se for comprovado que ele (Renna) postou material pornográfico de fotos que mesmo fez, a tipificação de conduta do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) diz que a pena dobra para mais oito anos. Só aí serão outros 16 anos de prisão", argumentou ao Cruzeiro do Sul na ocasião. "A minha experiência pessoal diz que na tipificação de crime organizado, duas ou mais pessoas se reúnem para cometer o delito. Dessa forma, ninguém é pedófilo com um grupo significativo de crianças e adolescentes sem ter ajuda de alguém", sustentou.
Para o senador, o Poder Público pode ser o cooperador no combate à pedofilia, no sentido de se fazer multiplicador do comportamento preventivo, ao mesmo tempo que multiplicador no sentido de socorrer a sociedade às suas necessidades "mais gritantes num momento como este". Como lembrou, há um ano e sete meses "ninguém sabia a dimensão dos crimes de pedofilia no Brasil. Tinha a certeza de que era um monstrinho... A sociedade acordou e justamente esse acordar é que me traz aqui, pois temos um caso emblemático. Hoje, ela (sociedade) fala, denuncia, não tem mais medo de entregar e não quer saber de convivência com pedófilo. Não dá para fazer um discurso na Tribuna do Senado e não correr para ajudar as famílias", concluiu, durante a sua passagem por Sorocaba.
DJ Marlboro é ouvido
Em curto depoimento à CPI da Pedofilia na tarde de ontem, o radialista Fernando Luis Mattos da Matta, conhecido como DJ Marlboro, declarou-se inocente da acusação de ter abusado de uma menina menor de idade. Ele e Junia Fonseca Duarte, que é parente da criança, são réus em um inquérito que corre no Rio de Janeiro por supostamente abusarem de G.M.C., de 4 anos, no sítio do DJ. O processo está em segredo de justiça.
O depoente também afirmou que quatro computadores foram apreendidos em sua residência pela polícia e não foi encontrado material pornográfico em nenhum deles. Ele também entregou à CPI recibos e documentos da época, alegando que teve compromissos profissionais fora do Rio de Janeiro e também passou por exames e tratamentos devido a um problema ortopédico.
Quem fez a denúncia à CPI por meio de uma carta foi a mãe da menor, L. A. D.. Ela, a criança e o pai, S. T. D., já foram ouvidos pelos senadores. O depoimento da criança foi acompanhado pela psicóloga Tatiana Hartx, que auxilia a comissão e deverá ser repetido mais três vezes. Malta disse que a primeira entrevista da criança com a psicóloga apresentou muitos detalhes do suposto abuso. O acusado também será ouvido pela mesma psicóloga. (Por Gustavo Ferrari)
Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=39&id=244007
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