


Foi só "Toy Story 3" entrar em cartaz para que a procura pelos brinquedos mostrados no filme aumentasse. Até aí, nenhuma novidade. A produção dos estúdios Disney, afinal, tem um apelo dos maiores e comove justamente por narrar o drama de um grupo que reúne o cowboy Woody, a "cowgirl" Jessie, o tiranossauro Rex, o casal Cabeça de Batata, o astronauta Buzz e o cão Slinky, entre outros. Os personagens amargam o calvário da incerteza por pensarem que serão esquecidos pelo dono, este, agora, um rapaz que entrou na faculdade e que não terá, por isso, mais tempo para brincar, já que se tornou adulto.
Depois de uma sequência de encontros e desencontros, a turma acaba por parar numa creche, onde também são mantidos outros brinquedos na mesma situação. Dividem, assim, o espaço com tipos como os bonecos Barbie e Ken (responsáveis pelas mais impagáveis sequências da história), o urso de pelúcia e o "Bebezão". Todos pertencem àquela categoria que fez muito sucesso em épocas passadas; logo, teoricamente, não seria tão fácil assim encontrá-los nos dias de hoje, certo? Errado. Woody e companhia ainda estão por aí e despertam o mesmo interesse no público.
É o que garante o sorocabano Jorge Luiz dos Santos, que há seis anos, desempregado, decidiu investir na revenda de brinquedos antigos e montou uma barraca na Feira da Barganha. Começou com bicicletas e foi diversificando. Hoje mantém um acervo de mais de 3 mil itens que adquire em bazares ou troca. Em sua casa, no Jardim Califórnia, montou uma espécie de recanto visitado principalmente por adultos que quererem rememorar a infância. "Dificilmente alguma criança nos procura. Os interessados são colecionadores que gostam de recordar os bons tempos", comenta.
Não raramente, acrescenta a esposa Hosana, que ajuda o marido nos negócios, quem entra no cômodo da casa onde são mantidos bonecos e outros exemplares, como jogos, se emociona: "Tem uma cliente que quase chora quando revê aquilo que marcou sua história. É até bonito de ver". Quando procurado pelo Mais Cruzeiro, Jorge não dispunha dos brinquedos que aparecem na animação. "Vendi tudo. Tinha o Woody, o Buzz, o casal Batata, aquele cachorrinho separado por uma mola. Muita gente procurou e levou", explicou.
A pedido de Hosana, ele procura melhor e localiza alguns soldados e o casal Barbie e Ken. Exibe orgulhoso as peças, junto com um boneco Falcon avaliado em quase R$ 500. Antes de vender, Jorge reforma os brinquedos. "Muitos chegam aqui estragados e sujos. É preciso limpar e, conforme o caso, criar roupas novas", explica Hosana. É ela quem cuida da coleção de bonecas, algumas raras, dos anos 50, 60 e 70. Cita os exemplos de "Beijoca", "Bate Palminha", "Susie". Hosana e Jorge não puderam, quando crianças, comprar brinquedos. "Era tudo muito caro", ele justifica.
Hoje, conseguem manter um padrão de vida muito melhor graças ao empreendimento. Hosana conta que, com a venda de algumas bonecas, ajudou o filho a comprar um carro novo. Sobre os persoangens de "Toy Story" garantem que, logo, terão novos exemplares. É possível, também, encontrar raridades na internet. Alguns sites especializados oferecem modelos antigos a preços acessíveis. São os casos do Play Toy (www.playtoy.com.br); Permuta Livre (www.permutalivre.com.br); Que Barato (www.quebarato.com.br), e Mercado Livre (www.mercadolivre.com.br/brinquedos-usados).
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