


Uma professora de Sorocaba, que processa semanalmente perto de 100 quilos de lixo reciclável, foi a vencedora da décima edição do prêmio Artesão do Ano, conferido pela Mega Artesanal, na categoria reciclagem.
Ivani Viana - que também trabalha na unidade Habiteto dentro do projeto Escola Aberta, de capacitação e geração de renda às comunidades carentes, desenvolvido pela Prefeitura - foi escolhida em votação via internet e concorreu com cinco outros inscritos de várias regiões do Estado.
Ao todo, 9,6 mil trabalhos, em várias modalidades de artesanato, foram encaminhados à feira, uma das maiores do gênero em nível mundial. A premiação aconteceu na terça-feira passada, dia 29, no Centro de Exposições Imigrantes.
Além de Ivani, foram premiados outros treze artesãos que mais se destacaram. Ao todo, a organização contabilizou cerca de 15 mil votos. O cantor e apresentador Rolando Boldrin entregou os troféus da categoria Artesão do Ano para os grandes vencedores da noite, Luis Moreira, eleito pelo público, e Ricardo Muraca, eleito pelo júri.
Boldrin também foi homenageado durante o evento pelo incentivo que dá à valorização da cultura popular. Emocionado, ele agradeceu a composição do cenário em seu programa na TV Cultura, o Sr. Brasil.
O cenário valoriza o artesanato brasileiro, que tem pouco reconhecimento no país. Além disso, foi inspirado em manifestações culturais de norte a sul do Brasil, disse. O prêmio da categoria Especial de Incentivo ao Artesanato foi entregue por Marcelo Darghan ao casal Rita e Wander Mazzotti, promotores da Mega Artesanal.
Reutilização foi o título da criação de Ivani, que usou coador de papel, caixas de creme de dental e botões para dar forma a três quadros. Além desses materiais, ela trabalha com tudo aquilo que é possível ser transformado.
Em seu ateliê, na Vila Haro, a artesã acumula pilhas de caixotes, garrafas pet, feltros, plástico, madeira e outros elementos que ganham forma. Fanática por reaproveitamento, Ivani participou pela primeira vez da mostra.
Aconselhada por amigos inscreveu um conjunto de três quadros e não esperava vencer. Tanto que foi à cerimônia com uma amiga de outra cidade. Dispunha de cinco convites, mas não teve quem a acompanhasse.
Sozinha, então, ouviu o seu nome ser anunciado. Ivani não recebeu premiação em dinheiro. O troféu, disse, tem um significado maior que qualquer valor que pudesse obter. O que mais me gratifica é constatar que os representantes da comunidade onde trabalho adquiriram a consciência de que reciclar é fazer o bem.
O envolvimento com a questão é tanto, que a professora não deixa passar a oportunidade de acumular em casa materiais. Recebe muita coisa dos vizinhos e, o que sobra, destina à coleta seletiva de lixo.
Ivani é uma catadora compulsiva. Aproveita até mesmo o cilindro em volta do qual é mantido o papel higiênico.
O prêmio não deve trazer mudanças em sua rotina. No dia que recebi o troféu, fui contatada por algumas pessoas interessadas em conhecer o que faço. Gostaria de montar uma exposição e continuar a dividir com as pessoas aquilo que sei sobre reciclagem.
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