Home Sorocaba.com
Sorocaba

Guia da Cidade

Diversos

Colunistas

Vidal Dias da Mota Junior

Vidal Dias da Mota Junior

Jetro Bernardo de Sousa Junior

Jetro Bernardo de Sousa Junior

Laís Helena Galvão de Souza

Laís Helena Galvão de Souza

Luiz Almeida Marins Filho

Luiz Almeida Marins Filho

Diversos / Matéria Detalhe::

::Literatura entre o instante e a duração

Literatura entre o instante e a duração

A literatura sempre transitou entre o instante e a duração do tempo. Fez do instante a sua principal referência, nos romances históricos de Walter Scott, Alexandre Dumas, Tolstoi, José de Alencar e Alexandre Herculano. Foi buscar na duração a explicação do tempo nas obras de Proust, Thomas Mann, Kafka, Samuel Beckett, Virginia Wolf, Borges e Cortázar.

Nos romances históricos, o tempo é apresentado como instantes demarcados, que acontecem numa extensão linear baseada em antes e depois, com causa e consequência. A História é revelada sob recortes, como pano de fundo às situações ficcionais, saltando de um momento ao outro, com o intuito de registrar o tempo como uma sequência de acontecimentos que avançam, construindo um amplo painel histórico.

Nos romances que se propõem a apresentar o tempo como duração, não há preocupação com fronteiras e demarcações. Muito menos com o princípio de causalidade: o que há são estados e temporalidades que se dão a conhecer, sob o fluxo do tempo.

O debate entre instante e duração, em busca da unidade mínima do tempo, vem de longe. Para o historiador Gaston Roupnel (1872-1946), o instante é uma realidade suspensa entre dois nadas. Para o filósofo Bergson (1859-1941), tempo é duração, sem possibilidade de demarcar precisamente o ponto em que ocorrem as mudanças. É o tempo-fluxo, em trânsito, exatamente como as águas do rio, nas quais nunca se pisa duas vezes, como diriam os filósofos pré-socráticos.

O romance contemporâneo vêm demonstrando que o tempo não é senão aquilo que se apronta nas relações temporais entre obra e leitor. Não há fronteiras de tempo pré-estabelecidas e fechadas, mas acordos entre concomitâncias.

A polifonia de vozes na narrativa de Memorial do convento, de José Saramago, subverte a noção convencional de narrador-único conduzindo a história. Consequentemente, alteram-se as noções de tempo.

Para se conhecer Manuelzão, personagem de Uma estória de amor, de Guimarães Rosa, é preciso transitar entre o presente (quando ele recebe as visitas para a inauguração da capela) e o passado no qual está mergulhado. Manuelzão habita um sem-tempo entre o real e o mítico, informado através da oralidade, das lembranças e tradições do sertão.

Em Rumo ao farol, de Virginia Wolf, os familiares se reencontram num presente que não existe sem o passado. O tempo não se separa em partes: é antes um continuum de duas faces que estão interligadas, uma buscando explicação através da outra.

No romance Montanha mágica, de Thomas Mann, o tempo é apresentado enquanto subjetividade e distorção. Hans Castorp sai de casa e toma o trem até um sanatório nos Alpes suíços. A viagem é relatada em detalhes, numa sequência linear: Castorp passa por diversos lugares, vê pessoas, presencia ocorrências, chega ao sanatório, instala-se, deita e dorme. No sonho, tudo o que acontecera na viagem se embaralha, estabelecendo relações impossíveis e absurdas, fora da consciência linear do tempo.

O conto O jardim dos caminhos que se bifurcam, de Jorge Luis Borges, também coloca em discussão a linearidade do tempo. O protagonista é Yu Tsun, numa missão de espionagem, tentando desvendar um labirinto e um livro, que constituem o mesmo objeto, proveniente dos antepassados. Ler esse conto é entrar num verdadeiro labirinto temporal.

Por muitos séculos, a literatura tratou o tempo como se fosse uma sequência de acontecimentos distribuídos entre presente, passado e futuro. De fato, esse é o conceito mais comum de tempo, baseado no que dizem os ponteiros do relógio.

Mas o relógio pode realmente ser entendido como o próprio tempo ou é uma representação dele, através de marcas indicando minutos e segundos? Não seria o relógio apenas um instrumento de medida usado para resolver a questão do tempo, uma vez que tempo não se dá a conhecer senão por si mesmo?

O assunto "tempo" sempre esteve na pauta das discussões de filósofos e cientistas. Se a ciência ainda não se pronunciou definitivamente a respeito, mesmo após as colocações de Einstein, a literatura tem dado mostras de que o tempo não é simplesmente o que se pode cronometrar. A poesia e a ficção frequentemente falam de um tempo que não se dá a conhecer senão através de si próprio, sem possibilidade de ser quantificado, demarcado e cronometrado de acordo com as convenções estabelecidas pela sociedade, pelos códigos culturais e pela tecnologia.

O tempo é algo que vai além das demarcações, como aquelas registradas na pintura, na fotografia e no cinema. Essas imagens planas mostram o tempo enquanto instante captado e registrado para sempre, embora esse tempo estagnado possa ser vivenciado como duração pelo observador.

Na literatura, sob o fluxo da palavra, o tempo não se restringe ao coágulo do instante. É um tempo livre, reversível ou irreversível, linear ou não-linear, que as palavras permitem cambiar e sugerir como processualidade temporal, muito além dos pêndulos e dos ponteiros do relógio.

Tempo como duração ou instante, eis a questão. A literatura tem praticado as duas possibilidades, enquanto não se define se é uma coisa ou outra. Ou as duas.

<Voltar

PUBLICIDADE
Enciclopédia
PUBLICIDADE
Blog
Ver Bares e Casas Noturnas

Dona Noemia

Bar Restaurante

Made In Brazil

Música ao vivo Bar

Bar Santiago

Música ao vivo Bar Restaurante

Bikini Dinning Club

Música ao vivo Bar Restaurante Música Eletrônica

Anzu Club

Música ao vivo Música Eletrônica
Legenda

Ícone Legenda - Bar

Ícone Legenda - Música ao vivo

Ícone Legenda - Música Eletrônica

Ícone Legenda - Restaurante

Home | Sorocaba.Com | João Rampim.Com | Blogs | Anuncie | Trabalhe Conosco | Contato

Valid XHTML 1.0 Transitional CSS válido!

Portal Sorocaba.com - 2012 Todos os direitos reservados®

Desenvolvedor