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Sorocaba, 11 de Dezembro de 2017

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Doulas: parceiras do parto

Notícia publicada em 25/09/2013



Doulas: parceiras do parto

Elas têm o dom de cuidar das gestantes para que o nascimento do bebê se torne um evento ainda mais especial

Basta um telefonema para Gisele Leal juntar seu material de trabalho. Leque, bolsa térmica, lanterna, óleos essenciais, velas e barras de cereais preenchem sua bolsa. Ela sai prontamente, sem hora para voltar.

Destino? Qualquer lugar onde esteja uma futura mamãe. Quando? Qualquer momento do dia ou da noite. Além dos objetos, ela se mune de muito amor, disponibilidade total, confiança e uma boa dose de paciência para participar de um momento mágico: o nascimento de um bebê.

Seu compromisso é incondicional. Médicas, enfermeiras e até mesmo um membro da família poderiam ser identificados com algumas dessas características. Mas, na verdade, ela é uma “doula”.

O nome pode parecer estranho. Muitos nunca ouviram falar, mas vem ganhando cada vez mais força no Brasil. A palavra “doula” tem origem grega e significa “mulher que serve”.

“Somos acompanhantes de parto profissionais, responsáveis pelo conforto físico e emocional da mamãe, no pré-parto, nascimento e pós-parto”, explica Gisele, que deixou uma carreira de 14 anos na indústria para se tornar doula e abraçar a causa pela humanização do parto.

Acompanhamento
Antigamente, quando muitos bebês nasciam em casa, era comum a participação efetiva de uma acompanhante para dar suporte à mulher, durante o parto e depois dele.

Familiares ou mulheres mais experientes da redondeza apareciam como grandes parceiras das parturientes. “Com a hospitalização da mulher, essa função se perdeu, pois a gestante começou a ser deixada sozinha durante o trabalho de parto, como acontece ainda hoje em muitos hospitais”, afirma a parteira Giovana Fragoso.

De acordo com Carla Arruda, doula há cinco anos, essa profissional pode desempenhar diferentes funções durante toda a gestação. “Durante a gravidez, damos informações sobre o parto, desmistificamos o assunto e oferecemos apoio emocional; no momento dele, o suporte psicológico é tão importante quanto promover o conforto físico, através de massagens, orientação sobre posicionamento adequado, exercícios de respiração e alimentação”.

Carla ainda esclarece que a participação dela não acaba com o nascimento do bebê. É necessário assegurar um espaço de tranquilidade para que se estabeleça o vínculo entre mãe e filho. Outra preocupação importante: garantir que o aleitamento materno esteja bem encaminhado. (foto carla_daniele1)

Doula não é parteira
A parteira Giovana Fragoso lembra que a parte técnica – que inclui realizar exames de toque e fazer asculta do bebê – cabe às parteiras, responsáveis por avaliar a vitalidade fetal e a progressão do trabalho de parto. Elas estão preparadas para identificar qualquer alteração no processo e intervir da forma adequada, caso necessário.

“Pesquisas mostram que o apoio emocional ajuda a reduzir o número de analgesias, o tempo de trabalho de parto e o uso de fórceps. A mulher se sente mais segura, facilitando a atuação da parteira”, ressalta ainda Giovana que faz partos domiciliares e hospitalares em parceria com doulas.

Cumplicidade
“Uma amiga de infância, alguém que está presente no momento mais especial da sua vida para dar a força que poucas pessoas são capazes de dar”, assim Daniele Andrade, que deu à luz recentemente, define uma doula.

Ela descobriu essa profissão, casualmente, no quinto mês de gestação, enquanto seu marido procurava por “massagens para gestantes” na internet. “Ter a companhia da Carla Arruda (doula), durante o parto, foi como contar com a presença de um anjo que percorria meu apartamento para providenciar o que era preciso para que tudo corresse da melhor forma para minha família”, completa.

Ariane Chiebão, mãe de dois filhos, estava grávida do pequeno Pietro e tudo o que ela e o marido queriam era que essa segunda experiência de parto fosse diferente da primeira. Ou seja, que seu caçula viesse ao mundo através de um parto normal, de forma segura. No entanto, nunca tinha ouvido falar em doulas. “Nem sabíamos o que era direito e qual era o papel delas”, confessa.

“Um passeio no parque, numa manhã ensolarada de domingo. Foi assim que encontramos a luz que nos guiaria até o grande dia”, conta Ariane sobre como conheceu sua doula. “O papel dela foi essencial para realizar meu sonho”, afirma ao lembrar a atuação da doula, desde as primeiras informações sobre parto humanizado, até as últimas contrações, já na maternidade.

Expectativa
Esperar o momento certo. Talvez esse seja uma dos maiores desafios para as gestantes. “Hoje em dia há uma grande valorização das cesarianas programadas e nós, mães de primeira viagem, não temos experiência e controle psicológico para discernirmos quando devemos ir ao hospital para parir”, explica Mônica Camargo, que teve sua nenê no dia 20 de janeiro.

Para Mônica, o maior benefício de contar com uma doula é a sensação de segurança e tranquilidade que ela transmite. “Além de me orientar, ela fez um trabalho psicológico que vai me ajudou a lidar com a dor e a controlar a minha ansiedade e a do meu marido”.

É importante reforçar que o papel da doula não é substituir um familiar, e ela tampouco quer e deve ocupar o lugar de um. As funções são complementares. “Trabalhamos com o pai da criança também, pois muitas vezes ele fica perdido. Ensinamos massagens, posições e como podem ajudar e interagir com a mulher”, explica Gisele Leal.

O ofício dessas mulheres é visto por muitos como uma grande missão, que busca apoiar as gestantes, além de resgatar o valor do parto natural e humanizado. Dedicam grande parte de suas vidas para que o nascimento natural de um filho se torne realmente um momento inesquecível.

“A minha maior realização como mulher foi ter conseguido parir minha filha naturalmente, e isso só aconteceu porque eu tive uma doula. Foi ela que me deu acesso a todas as informações de qualidade, e mais que isso, olhou nos meus olhos quando precisei e mostrou que eu poderia confiar em mim. A mulher poderosa que eu me transformei no trabalho de parto vive em mim até hoje, e eu serei eternamente grata à Gisele (Leal) por isso.”
Érica Azevedo

Informação às gestantes
Em Sorocaba, o Espaço Ishtar reúne aos sábados (das 9h30 às 11h30) futuras mamães, que podem conversar com doulas e mulheres que já passaram pela experiência do parto. Também podem trocar experiências com outras gestantes. O Ishtar fica na Rua Gonçalves Dias, 478 – Vila Santana.


Como ser uma doula

Qualquer pessoa pode se tornar uma. O mais comum é fazer um curso e depois começar a praticar. Outra possibilidade é percorrer o caminho autodidático, baseado em leitura e atendimentos. Essa opção é mais adequada para quem tem contato direto com gestantes.
 

 

Por Amanda Sampaio Queiros (Revista NA MOCHILA)

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