


Por Andréa Vanucci
Adicionada em 27/09/2006 - Visualizações 398

Andréa Vanucci é cantora e compositora formada em música pela USP. Também mantém o site na Internet http://www.andreavanucci.cjb.net
Olá! Hoje vamos comentar sobre a escrita musical, ou seja, o modo como foi criado um padrão gráfico para que as informações sonoras fossem preservadas ao longo da história.
A princípio, foram os gregos que criaram uma grafia musical que desse nome às notas musicais, e para isto utilizaram-se das primeiras letras do seu alfabeto: alfa, beta, gama. Este sistema continuou na Idade Média substituindo-se, porém, as letras gregas pelas latinas, as quais são usadas até hoje. Assim, temos A, B, C, D, E, F, G representando as notas lá, si, dó, ré, mi, fá e sol, respectivamente. Os antigos gregos consideravam a nota lá o som mais grave dentro do sistema musical. É por esse motivo que a primeira letra do alfabeto representa a nota lá (e não o dó, como poder-se-ia imaginar).
No século XI, na França, usou-se uma linha horizontal fixa, mais tarde seguida por outra, sendo que essas duas linhas indicavam as notas fá e dó, dando assim mais precisão às notas colocadas dentro desse intervalo musical. Ainda na primeira metade do século XI, um monge beneditino e músico chamado Guido D´Arezo colocou as notas sobre quatro linhas e nos seus respectivos três espaços. Posteriormente, se inseriu a quinta linha formando os 4 espaços utilizados até hoje. Esse conjunto de 5 linhas e 4 espaços chamamos de pentagrama (do grego, penta = cinco e gama = linha). Este sistema gráfico permitiu uma maior exatidão na representação e conseqüentemente na execução das melodias, indicando se os sons tornavam-se mais agudos (quando as notas eram escritas mais acima do pentagrama) ou mais graves (quando as notas eram escritas mais para baixo do pentagrama).
Para facilitar a memorização da entonação das notas, o monge Guido D´Arezo aproveitou a primeira estrofe do ?Hino a São João Batista? fazendo com que a primeira sílaba de cada verso correspondesse exatamente aos sons das notas.
?Hino a São João Batista? (em latim):
UT queant laxis
REsonare fibris
MIra gestorum
FAmuli tuorum
SOLel polluti
LAbili reatum
SAncte Ioannes
A tradução é a seguinte: Para que possam teus servos cantar em plena voz a maravilha dos teus feitos, ó São João.
Em 1640, Giovanni Batista Doni substituiu a sílaba UT por DÓ, aproveitando a primeira sílaba do seu sobrenome e no século XII é que juntaram as iniciais SI de Sancte Ioannes, denominando o SI. E foi assim que se formou o sistema de sete notas representadas no pentagrama como usamos até nos dias de hoje!
Um grande abraço e até a próxima.
O texto publicado nesta coluna é de responsabilidade do autor, e pode nao expressar a opiniao total ou parcial da Sorocaba On-Line S/C Ltda sobre o assunto. Boa leitura!
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