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Sorocaba, 12 de Novembro de 2019

ARTIGOS


Sorocaba e os desafios sócio-ambientais

Por: Vidal Dias da Mota Junior



Sorocaba é uma cidade que desperta a atenção até do mais desatento cidadão. É uma cidade única. Detém peculiaridades exclusivas. É símbolo de progresso, de desenvolvimento, de infra-estrutura e oportunidades. Tem-se configurado há mais de século como umas das principais economias do interior do Estado de São Paulo, tem demonstrado um alto índice de desenvolvimento humano - IDH, o que confere o arrojo das políticas sociais e econômicas implementadas pelas diversas instâncias do poder público, privado e a participação da sociedade civil organizada.

No entanto, essa mesma cidade convive com algumas contradições, alguns conflitos que a torna representativa dos dilemas da sociedade brasileira. O progresso vivido pela cidade em toda a sua história desenvolvimentista resultou, nos últimos trinta anos, em acelerada urbanização, que trouxe uma série de problemas, entre os quais se pode ressaltar os de cunho sócio-ambiental.

Tem-se hoje uma grande conquista que é o processo de despoluição do Rio Sorocaba. Porém, em relação ao próprio rio ainda há muito a ser feito para que o processo de despoluição seja eficiente e eficaz. Verifica-se a necessidade de recuperação da mata ciliar, o combate ao assoreamento e a recuperação dos córregos afluentes que hoje estão em explícita agonia.

Outro problema que se destaca na cidade é a poluição atmosférica causada, principalmente, pelo excesso de queimadas de terrenos baldios. Talvez esse seja um legado cultural visto que nos mais diversos momentos da história da região a queimada sempre foi o procedimento costumeiro para a limpeza do terreno, todavia, hoje isso tem sido nefasto para a qualidade de vida.

É difícil entender como uma cidade consegue queimar tanto e até agora não ter tomado medidas eficientes no combate a essa prática que só traz resultados negativos aos munícipes. Warren Dean (1996), no seu livro a Ferro e Fogo destaca o uso indiscriminado da queimada na história da devastação da mata atlântica mostrando que, muitas vezes, esse procedimento era praticado por pura diversão ou passatempo. Espera-se que não seja isso o que esteja ocorrendo, o que, de qualquer maneira, não justifica essa prática arcaica e predatória para limpeza do terreno ou especulação imobiliária.

Além das queimadas, os terrenos baldios têm sido, na cidade, o local para a população depositar irregularmente entulhos. Verifica-se ao lado desses terrenos e córregos todo o tipo de material descartado. Um rápido passeio pela Alameda Itanhaém ou pela Rua João Guariglia mostra esse tipo de prática que é comum nos bairros e que poderia ser combatida pela implantação de um serviço público ou privado que reciclasse entulhos, restos de podas e outras matérias que são descartados irregularmente comprometendo a saúde pública. Só a reciclagem de entulhos, como a implementada em Belo Horizonte, poderia trazer uma série de benefícios, não somente ambientais, mas também econômicos, principalmente, para as obras públicas.

Outro aspecto que se verifica é a fragilidade da arborização urbana e da manutenção das áreas verdes nas regiões periféricas. Os parques que possuem melhor estrutura e possibilidades de lazer à população ficam localizados distantes das áreas mais povoadas e cobram pelo ingresso.

Verifica-se que a cidade tem avançado e que muitas experiências chamam a atenção como é o caso do Quinzinho de Barros em suas atividades educativas e no esforço constante na conscientização da população para a conservação dos ecossistemas.

No entanto, diversos problemas ainda existem, o quais não serão resolvidos apenas com medidas técnicas e pontuais. Percebe-se no debate ambiental uma série de tendências que buscam interpretar e propor alternativas para a degradação. Algumas tendências como as de cunho mais técnico tem demonstrado grandes limitações para a resolução da crise ambiental. Além, das perspectivas tecnológicas, existem aquelas individualizantes e comportamentalistas e que atendem alguns aspectos, mas são deficientes em outros por não problematizarem o papel das corporações e do Estado e suas políticas públicas os quais são os responsáveis diretos pelos problemas e pelas soluções.

Portanto, somente com políticas públicas que estimulem a participação dos cidadãos na resolução dos problemas da sua comunidade é que novos caminhos poderão ser encontrados. Mas ao falar em políticas públicas é importante lembrar que no caso brasileiro o principal responsável pela degradação tem sido o Estado. Historicamente, o Estado exige preservação, mas tem sido o primeiro a esconder a sujeira embaixo do tapete. As preocupações sócio-ambientais ao serem incorporadas na realidade brasileira pelo Estado, principalmente, a partir da década de 1970, tiveram um papel mais formalista do que correspondente a real formação social do país. Hoje se vê que as cidades brasileiras possuem em sua maior parte, um baixíssimo índice de saneamento e destinação adequada dos resíduos sólidos.

Os problemas sócio-ambientais, também refletem, uma estrutura social desigual e excludente. A chamada crise ambiental é hoje muito mais uma crise de um modelo de sociedade do que uma crise ecológica.

Por isso, um conjunto de ações pode ser implementado para que em Sorocaba os desafios sócio-ambientais possam ser devidamente encaminhados em prol da qualidade de vida da população. Alguns aspectos são importantes como a eficiência dos serviços dos setores envolvidos e responsáveis pelo meio ambiente, principalmente, ao se evitar a impunidade. No entanto, existe outro desafio urgente que é a da implementação da Educação Ambiental para toda a população.

Nesse sentido a Educação Ambiental precisa ser cada vez mais discutida, estimulada e implementada em todos os espaços em que se educa o cidadão sorocabano. Uma educação ambiental que não seja apenas uma educação ecológica, mas sim uma educação política, construída coletivamente e não verticalmente, que sensibilize, produza conhecimentos, valores e atitudes que estimulem a participação e a responsabilidade social na resolução dos problemas.

O texto publicado neste artigo é de responsabilidade do autor, e pode nao expressar a opiniao total ou parcial do Portal Sorocaba On-Line S/C Ltda sobre o assunto. Boa leitura!

Vidal Dias da Mota Junior

Natural de Apiaí-SP, Vale do Ribeira. É formado em Ciências Sociais pela UNESP de Araraquara. Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR e Especialista em Gestão Pública e Gerência de Cidades - UNESP de Araraquara. Doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, na área de Estudos Políticos. Professor da Universidade de Sorocaba e da Academia de Ensino Superior nas disciplinas de Metodologia Científica, Sociologia, Políticas Públicas e Educação Ambiental.

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