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Sorocaba, 21 de Outubro de 2019

ARTIGOS


Da gentileza, da bondade, e outras virtudes

Por: Sidarta da Silva Martins



Um dia desses, uma amiga muito querida, que vive, e gosta de viver, a boa batalha, agradeceu-me por uma gentileza, mas depois estranhou por estar agradecendo, notando que a gentileza è algo esquecido no tempo, que a gratidão è uma coisa ultrapassada.

Resolvi pensar sobre este assunto, e dedico este artigo à Cacau, uma mulher de grande valor, uma italianinha querida, parte integrante da incrível história da existência humana.

A gentileza, o amor, a compreensão, a bondade, a serenidade, a beleza, a ética, a estética (reflexo de nosso interior), a amizade singela, entre outras tantas coisas, deveriam estar presentes em nosso ?day by day?, mas isso não acontece. Os interesses menores, que nos voltaram para nossos próprios umbigos, nos tornaram céticos, como diz o Chaplin em seu discurso. Vou além, nos tornaram amargos.

Refletindo, me perguntei como isso se apresenta em nossas vidas, como é esse desvio de visão que nos leva a caminhos errados, e a escolhas erradas.

A resposta a que chego è que, devido a tanta propaganda, a tantas coisas que nos vendem na TV, nas rádios, nos shoppings, nas bancas, nas mais diferentes esquinas da vida, passamos a valorizar a casca, não o interior; passamos a nos deter no contentor, não no conteúdo; passamos a comprar pacotes, não presentes; passamos a levar para casa o discurso, não o foco da questão; passamos a comprar o livro pela capa, não pelo escritor ou pelo que escreve; passamos, enfim, a ficar no supérfluo, não nos aprofundando no espírito da questão, na alma da pessoa que nos fala.

Perdidos nesse emaranhado de ilusões que construímos para nós mesmos, passamos a ver valor nas pessoas ?saradas?, homens e mulheres; a ver como companheiro ou companheira ideal, a pessoa que se enquadre no ?padrão? que nos foi vendido durante toda uma vida. Nos ?enquadramos? em uma Sociedade que se esqueceu como Humana, que se esqueceu como reflexo de um ser maior, bondoso, incrivelmente gentil, incrivelmente amoroso, eterno em sua sabedoria.

O carro do ano, a viagem dos sonhos, os ?amigos? das baladas, o apartamento na praia, a roupa de ?griffe?, a conta bancária, o cartão, foram ganhando espaço em nossas vidas em detrimento ao ?buquê? de flores colhidas no quintal, ao café na cama, ao jantar em casa à luz de velas (brancas mesmo), ao abrir a porta do carro para a companheira, para o companheiro, ao passeio de mãos dadas, ao sorvete na praça, ao passeio no Ibirapuera com os filhos, à poesia, que tanto nos diz à alma, à missa aos domingos, depois macarrão preparado a dois, acompanhado de um bom vinho.

Enfim, o que era para ser complemento passou a ser o principal, e o principal ficou esquecido em um canto de armário, cheio de poeira e teias de aranha, pedindo, clamando, por limpeza e arrumação, voltando, assim, as coisas aos devidos lugares.

- Não sou contra as coisas que nos dão mais conforto, proporcionam momentos diferentes, renovam a alma para a semana, não sou contra a evolução que conquistamos a tão duras penas. Discordo, e com um bom discordar, do valor que se deu ao complemento.

Vivo também a boa vida, sonho também o bom sonho, amo também o bom amar, mas tudo a seu tempo. A vida é construída de realidade, de estudo, de trabalho, de ?jogo duro?, de responsabilidade, de honra, de gratidão, não de fantasia!

Para que possamos ter o complemento, precisamos construir o principal.

Perdidos em nós mesmos esquecemos nossas origens, que somos feitos com o que há de melhor no Universo ? Espírito, Filosofia e Matéria, um apoiando ao outro na medida certa, e no momento certo. Esquecemo-nos de que o amor sublime deve ser o condutor de nossas ações, deve ser o condutor da forma como educamos nossos filhos, deve ser a mola mestra em nossa existência como seres humanos, responsáveis pela continuidade da obra divina. Deve, sempre, fazer a diferença em nossos diferentes relacionamentos.

Não estamos acostumados à bondade, e deveríamos; Não estamos acostumados à gentileza, isso è fundamental; E não estamos mais acostumados à felicidade plena, que invade a alma, que nos transporta, nos acalma e nos dá confiança. A felicidade, quando alcançada, nos mostra o que é a vida, de fato, nos mostra o que é SER HUMANO.

Esquecemo-nos do que è ser amigo!

Amizade! Palavra linda, sublime, encantada, traz em si a beleza da história da existência humana. Amizade! O maior feito do ser humano, a maior conquista do ser. É a entrega total, infinita, eterna.

Tijolo por tijolo, uma amizade verdadeira demora a ser construída, mas, quando construída, se torna eterna, atravessa os tempos, transporta pessoas de um lado ao outro dos oceanos, só pelo prazer de estar um pouquinho com a pessoa amiga, sentir seu calor, sentir seu cheiro, sentir seu perfume, receber um beijo, tomar um café a dois, olhando o horizonte, falando das coisas boas que, juntos, viveram, e das tantas e quantas batalhas, que juntos venceram, ser amigo é uma constante troca, um constante vai-e-vem de afetos, de momentos carinhosos, de momentos doces, de alegria infinda. Ser amigo é bater à porta, quando todas as portas se fecharam, è estar presente, mesmo que em silêncio, quando todos os demais se foram, è chegar de mansinho, na calada da noite, para espantar os fantasmas dos inúmeros pesadelos humanos, è dar as mãos com delicadeza e dizer, apenas com um olhar, que a amizade é a flor mais perfumada que o ser humano já conheceu, è o mais sublime dos amores...

Preocupados com o pacote esquecemos o interior, o que há de melhor no ser humano. E o ser humano pode ser incrível, se prestarmos a devida atenção, pode proporcionar infinitas alegrias, se nos deixarmos levar pela infinita alegria.

Se formos além do supérfluo encontraremos nosso tão desejado oásis, no meio deste deserto construído à nossa volta.

Escrevi, certa vez, que ?a razão da existência humana é amar?. Continuo acreditando nisso. Nascemos para o amor, para a felicidade que nos proporciona este amor, manifestado em suas mais diferentes formas, vertendo o divino para o humano.

O texto publicado neste artigo é de responsabilidade do autor, e pode nao expressar a opiniao total ou parcial do Portal Sorocaba On-Line S/C Ltda sobre o assunto. Boa leitura!

Sidarta da Silva Martins

Sidarta da Silva Martins, linguista, escritor, poeta, compositor e pesquisadorem comunicação, recentemente assumiu, em Itu/SP, a cadeira número 20 da ACADIL. Já ocupava a cadeira 71 da Academia Nacional do Portal do Poeta Brasileiro e a cadeira 92 da ALB/SP. É formado em Comunicação Social pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Desde 2003 é Professor Titular do Curso de Gestão da Universidade Paulista (UNIP), em Jundiaí. Além de pesquisas na área de Administração, atua  nas áreas de Lingüística, de Recursos Humanos - RH e do  Desenvolvimento Humano. Trabalhou e estudou nos Estados Unidos e na Europa. Há mais de vinte anos apresenta os resultados de seus trabalhos em palestras e seminários sobre Aprendizado de Línguas Estrangeiras, Treinamento e Desenvolvimento de RH e Liderança, em congressos realizados no Brasil e no exterior. É palestrante do Congresso Saber, o mais importante do país na área de Educação. Criou, em Londres-UK, a Metodologia dos Sons, para facilitação do aprendizado de línguas estrangeiras, com resultados expressivos.

No último mes de Junho recebeu o Título de Cidadania Ituana, em homenagem aos relevantes serviços prestados à Cidade que escolheu para morar, Itu.

Em suas palestras afirma que  "Ao Educador cabe a formação do cidadão global e do homem bondoso universal"

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