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Sorocaba, 21 de Novembro de 2019

ARTIGOS


Consciência Negra, há o que comemorar?

Por: Sidarta da Silva Martins



Consciência Negra, há o que comemorar?

“Precisamos compreender que fomos educados dentro de uma cultura “branca”, onde a Escola é Branca, o Hospital é Branco, onde o Símbolo da Paz é Branco, onde Deus é Branco! Onde o termo “negrice” é aceito com a maior naturalidade, e o termo “denegrir” é usado em documentos oficiais...”

Recentemente foi publicado um estudo intitulado "Mapa da Violência 2015", sobre a violência contra a mulher. Neste mapa destaca-se a acentuada diferença entre a agressão à mulher branca e à mulher negra, no Brasil.

Importante deixar claro que qualquer tipo de violência é abominável! Contra a mulher, contra a criança, contra qualquer Ser Humano, contra animais...Porém, há que se refletir sobre os resultados deste "Mapa da Violência 2015".

Quando pensamos na questão da Consciência Negra, somos, irremediavelmente, remetidos a um passado recente, quando nossos irmãos negros eram espancados até a morte, em praça pública, transformando o dia em feriado, para que todos pudessem assistir à maldade branca, à maldade dos senhores e serviçais desalmados, de ontem e de hoje, sem qualquer consciência sobre sua demência, sem qualquer consciência sobre o fato de que qualquer poder sem amor é loucura, é doença.

E quanto poder sem amor se espalha por este mundão de Deus! E quanto hipocrisia!

Porquê não se fala sobre isso nas Escolas Ituanas e Brasileiras? Porquê isso não está nos livros de História?

Continuo me perguntando se nas comemorações feitas em Itu, uma cidade aristocrática, de ontem e de hoje, haverá espaço para pedidos de desculpas pelas maldades em praça pública, ou para agradecimento aos verdadeiros construtores dos casarões, das igrejas, e das praças onde eram espancados.

Será que a dignidade, enfim, falará mais alto, e se curvará à verdade, reconhecendo um passado recente, que nos enche de vergonha?

Quando me vejo cristão e me compadeço com o sofrimento do Cristo, nosso exemplo maior, me pergunto se o sofrimento ao qual foram submetidos centenas de milhões de irmãos nossos, não só nas Américas, mas em todo o mundo - e continuam sofrendo, não é digno, também, de compadecimento e reconhecimento público.

Mas existem outros pontos a serem discutidos, a serem colocados “à prova de consciência”, antes de nos colocarmos a defender isso ou aquilo para os nossos irmãos negros.

Por exemplo: Você concordaria que sua filha, branca, se casasse com um negro? Você receberia sua neta, branca, com o parceiro negro, para posar em sua casa, almoçar à sua mesa, com a mesma disposição que a receberia se estivesse com um parceiro caucasiano? Você respeita seu genro negro? Seu chefe negro? Seu comandante negro? Seu médico negro? O policial negro? O pedreiro negro?

Quanta hipocrisia, meu amigo! Quanta hipocrisia!

Aliás, quantos de nós aceita fazer consulta com um médico negro? Quantos de nós aceita um professor negro? Quantos de nós aceita que nossos filhos e filhas freqüentem a casa de amiguinhos negros, e vice-versa?

Indo um pouco além: Em uma Sociedade com 51% de negros, quantos vereadores negros temos, prefeitos negros, deputados negros, senadores negros, promotores negros, professores negros, juízes negros?

Há muito que caminhar, ainda, e esta é a CONSCIÊNCIA QUE PRECISAMOS TER. Precisamos compreender que fomos educados dentro de uma cultura “branca”, onde a Escola é Branca, o Hospital é Branco, onde o Símbolo da Paz é Branco, onde Deus é Branco! Onde o termo “negrice” é aceito com a maior naturalidade, e o termo “denegrir” é usado em documentos oficiais...

Aliás, que tal levantarmos TODOS os termos pejorativos aos negros e pedirmos que sejam retirados dos dicionários de língua portuguesa?

Tenho a honra e a alegria de ter tido, em minha infância, inúmeros amigos negros, de ter recebido, em minha casa, na minha juventude, colegas negros de Ensino Básico e Médio, para estudarem comigo. Tenho a imensa honra de viajar, semanalmente, e trocar impressões, com uma gentil amiga negra, uma mulher de imenso valor, Educadora das mais destacadas. Não cito seu nome aqui, por não estar autorizado, mas ela sabe do respeito que tenho por ela e por todos nossos irmãos negros. Um beijo terno a você, doce amiga, onde quer que esteja agora.

Consciência, negra consciência!

Consciência!
Negra!
Consciência sobre um passado
Negro!
Um passado negro de negras ações
Negras atitudes de um branco com alma negra
Um negro passado!

Consciência!

O negro passado a limpo
O príncipe, negro
Com um passado limpo
Limpando a alma, lavando o espírito
Um príncipe, vários príncipes!
Guerreiros, heróis, crianças e velhos
Homens e mulheres, príncipes e heróis
Fantoches de um branco sem consciência

Consciência!

Consciência sobre a maldade
Consciência sobre o passado
- O passado, passado a limpo!

Feriado!

O passado em praça pública
Para assistir à maldade inconsciente
De um branco onisciente, de um branco insano
Agredindo ao negro
Em praça pública!
Agredindo ao negro de alma branca
Que lhe traz a consciência de sua alma negra
Negra nas intenções
Negra nas ações
Negra nas maldições
Maldições que hoje voltam
Vão e vem, em um vai-e-vem sem fim
Até que haja a consciência, plena!
E a aceitação...

Consciência!

Lavando a alma, trazendo a calma
A esta alma negra
Lavando um passado e construindo um futuro

Consciência!

Em uma só palavra, a ciência, conosco
Conosco o conhecimento, sobre nós mesmos
Sobre o que fomos e o que somos

Consciência, paz, amor
Com ciência!  

O texto publicado neste artigo é de responsabilidade do autor, e pode nao expressar a opiniao total ou parcial do Portal Sorocaba On-Line S/C Ltda sobre o assunto. Boa leitura!

Sidarta da Silva Martins

Sidarta da Silva Martins, linguista, escritor, poeta, compositor e pesquisadorem comunicação, recentemente assumiu, em Itu/SP, a cadeira número 20 da ACADIL. Já ocupava a cadeira 71 da Academia Nacional do Portal do Poeta Brasileiro e a cadeira 92 da ALB/SP. É formado em Comunicação Social pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Desde 2003 é Professor Titular do Curso de Gestão da Universidade Paulista (UNIP), em Jundiaí. Além de pesquisas na área de Administração, atua  nas áreas de Lingüística, de Recursos Humanos - RH e do  Desenvolvimento Humano. Trabalhou e estudou nos Estados Unidos e na Europa. Há mais de vinte anos apresenta os resultados de seus trabalhos em palestras e seminários sobre Aprendizado de Línguas Estrangeiras, Treinamento e Desenvolvimento de RH e Liderança, em congressos realizados no Brasil e no exterior. É palestrante do Congresso Saber, o mais importante do país na área de Educação. Criou, em Londres-UK, a Metodologia dos Sons, para facilitação do aprendizado de línguas estrangeiras, com resultados expressivos.

No último mes de Junho recebeu o Título de Cidadania Ituana, em homenagem aos relevantes serviços prestados à Cidade que escolheu para morar, Itu.

Em suas palestras afirma que  "Ao Educador cabe a formação do cidadão global e do homem bondoso universal"

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