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Sorocaba, 18 de Novembro de 2019

ARTIGOS


Willian Fabri, 77 anos, aniversaria em 14 de junho

Por: Sérgio Aranha



Willian Fabri, importante fonte sobre a nossa cidade. Eu não o conhecia. Estava na Biblioteca Infantil e perguntei ao amigo José Rubens Incão, quem poderia entrevistar sobre o `Ciclo da Laranja´. Ele de imediato me respondeu: Willian Fabri. E passou-me seu telefone. De imediato liguei. E ele mesmo atendeu ao telefonema e expliquei-lhe o motivo de procurá-lo. Respondeu: Pode vir agora... Faleceu nesta terça-feira, dia 02 de agosto de 2005. Uma grande perda...

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Fiz o primeiro contato com o Sr. Willian, por telefone. Liguei para a sua residência e ele me disse que poderia ir lá, que ele poderia me receber.

Após a apresentação, na qual falei-lhe sobre o nosso projeto de pesquisa mais as atividades da ONG Memória Viva, ele foi direto, sou Willian Fabri, um funcionário da laranja. Sua origem é o Além Ponte, mais precisamente a Rua Cláudio Furquim, onde nasceu e cresceu. Seu pai era proprietário de um açougue, nesta rua. Sua primeira lembrança do ciclo da laranja remonta aos seus 10 anos (1937) quando começou a trabalhar, como bico, nas horas em que estava desocupado da escola, como selecionador de laranja no barracão.

Lembra-se que a safra da laranja é no outono e daí ele e as crianças do bairro tinham muito trabalho. Ganhava 2.000 réis por semana e podia levar quanta laranja quisesse para a casa. Era uma alegria para ele estar trabalhando e ter o seu próprio dinheiro, que era gasto nas matines do Cine Allambra, localizado no mesmo bairro. Lembra-se que existiam três exportadores de laranja. O Coccoza na Árvore Grande, rua Estácio de Sá, junto ao ramal ferroviário da Sorocaba, que transportava as laranjas para Santos. Os Devito, cujo barracão ia da Av. São Paulo aos fundos da rua Cláudio Furquim e uma outra empresa inglesa e italiana na rua Rui Barbosa (TRICO). Afirmou que os outros dois exportadores embarcavam suas laranjas no `paking-house´ da rua Estácio de Sá. Diz que a laranja produzida aqui era a baiana, com enormes umbigos, sabor delicioso. E que a colônia espanhola era a grande produtora de laranja, que ia do rio Sorocaba a Brigadeiro Tobias pela Serrinha até Aparecidinha. Iam até Mairinque, daí pra frente era o começo da zona fria e a laranja não se dava bem, ai plantavam marmelo. Que os espanhóis eram de origem muito simples, bem pobres.

Se recorda da produção em pequena escala de um tipo de laranja que produzia um imenso pé. Que dele saia uma resina que ele comia, lascava a resina com seu canivete e que até hoje usa o seu canivete na cintura. Esse pé de laranja apresentava um tronco bem grosso, dava laranja todo o ano, super doce. Que dos ramos desse laranjal fazia-se cabos de enxada, de martelos, etc... Muito famosos pela sua resistência.

Recorda-se com muitas saudades de seu tempo de menino, uma das brincadeiras deles era irem ao morro da Mariquita, onde tinha um grande pomar, roubar laranjas, que eram atiradas no rio Sorocaba, na divisa de Votorantim, hoje, e iam a pé até o local da do trem da Votorantim, próximo da Avenida São Paulo esperar a chegada das laranjas que vinham boiando pelo rio e chegavam geladas. Só que isso demorava várias horas... Sobre o rio Sorocaba, lembra-se das enchentes no mês de janeiro, em que o rio quase alcançava a ponte, ficando a quase um metro dela. E que a população acreditava que enquanto não morresse alguém afogado o rio não abaixava. Lembra-se da morte de uma mulher em 1943, daí o rio abaixou.

Do processo de beneficiamento lembra-se das carroças chegarem ao barracão e despejarem as laranjas em bicas que as conduziam para as esteiras, onde as crianças faziam a seleção. Afirma que durante a 2ª Guerra Mundial, Sorocaba exportava as laranjas para a Inglaterra e com o término da guerra, do sumo delas produziam combustível. No final da guerra apareceu a praga tristeza, que veio do cavalo do enxerto da laranja. Dessa época, como só se usava o sumo da casca, o restante da laranja era jogada no rio Sorocaba. Aliás, ele era imenso (o rio) na sua largura, junto a Avenida São Paulo, bem maior do que se apresenta hoje. Os barracões se transformaram em produtores de óleo de laranja. Daí veio a praga e dizimou os laranjais. Os pés de laranja eram arrancados ou queimados. Ficaram os campos vazios.

Sobre o vinho de laranja, fala que os mesmo eram produzidos pelas famílias para consumo próprio e o excedente vendido a granel em `vendas´. Também se lembra da fabricação da bagaceira, aguardente do bagaço da laranja. Que deve ter, ainda hoje, vinho de laranja em São Roque, naquelas adegas antigas.

Os plantadores de laranja se reuniam em frente ao mercado municipal e quando ele entrava no mercado sentia o cheiro do açúcar mascavo no ar.

Recorda-se da família Archila também fruticultores. Que Jaziel Ribeiro era o pai do médico Dr. Luiz Ribeiro, que morava na rua Duque de Caxias. Da escola profissional se recorda que a mesma era na rua Barão do Rio Branco, num enorme casarão de três andares, tinha vários cursos profissionalizantes, lembra-se do diretor Diógenes de Almeida, depois (a escola) mudou-se para a estrada de Votorantim. Lembra-se de José Rodrigues Martins, perto do hoje hospital Teixeira Lima, ali eles moravam e produziam laranja.

Afirma que o ciclo foi curto, durou uns 10 anos e o exército inglês usava a laranja.

O texto publicado neste artigo é de responsabilidade do autor, e pode nao expressar a opiniao total ou parcial do Portal Sorocaba On-Line S/C Ltda sobre o assunto. Boa leitura!

Sérgio Aranha

é Engenheiro Civil e de Segurança do Trabalho, Mestre em Engenharia Civil, área de concentração: Edificações pela FEC/UNICAMP. Presidente da ONG Memória Viva. Diretor da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba.

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