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Sorocaba, 20 de Julho de 2019

ARTIGOS


Os direitos da criança nos esportes

Por: Neto Canineu



Não tenho a menor intenção ou presunção em me ou lhes convencer de que este artigo engloba todos os direitos das crianças quando praticantes de esporte. Mas penso que estaríamos proporcionando a elas uma experiência muito mais positiva se lhes garantíssemos o direito de:

1- Participar

Mais de uma vez nessa mesma coluna defendi o esporte como elemento fundamental para o desenvolvimento físico e social das crianças. O esporte de uma maneira geral realça em crianças os princípios de coordenação motora, agilidade, velocidade, força, flexibilidade, etc. Além disso, valores como liderança, dedicação, persistência e solidariedade entre outros, são disseminados no ambiente esportivo. Porém, de que adianta tudo isso se a criança não tem acesso integral e permanente a esse tipo de ambiente? O acesso ao esporte organizado não deveria ser privilégio daqueles que tem condições de pagar mensalidade para usufruírem tal acesso. Da mesma forma não deveria ser privilégio daqueles que demonstram habilidade para prática de determinada atividade esportiva. O esporte é (ou deveria ser) para todos.

2- Participar num nível compatível com sua habilidade e maturidade

Para que a criança tenha acesso efetivo aos benefícios oferecidos pelo esporte, é necessário que ela, em primeiro lugar esteja cercada de outras crianças da mesma faixa etária. Um ano na fase de desenvolvimento das crianças representa uma grande diferença física e mental. É por uma boa razão que uma criança de 07 anos de idade, por exemplo, freqüenta a primeira série do primário, e não a segunda série juntamente com uma criança de 08 anos. No ambiente esportivo essas diferenças devem da mesma forma ser respeitadas na medida do possível. Outro importante aspecto nesse quesito é a habilidade e aptidão da criança para a prática de uma dada atividade. Por exemplo: José e João têm a mesma idade e estão na mesma classe no colégio. José joga basquete há 03 anos e convida seu amigo João para se juntar a ele na escolinha que freqüenta. João nunca jogou basquete na vida, mas gosta muito do esporte e assim aceita o convite de prontidão. É evidente que José tem maior habilidade na prática do esporte que João, o que de maneira nenhuma tira deste último o direito de jogar basquete. Mas, para que João tenha uma melhor experiência e possa ter uma oportunidade justa de desenvolver suas habilidades é fundamental que, a princípio, ele deva estar separado do seu amigo José, dentro de um grupo de principiantes como ele. Crianças devem estar num ambiente em que tenham oportunidades iguais para serem bem-sucedidas.

3- Instrução qualificada

Entendo e respeito profundamente às pessoas que se propõe a contribuir na formação esportiva das crianças. Pessoas que geralmente jogaram um esporte com certa desenvoltura se sentem confortáveis ensinando o mesmo esporte a atletas mirins. Porém, o fato de uma pessoa ter praticado um determinado esporte, não necessariamente a qualifica para o ensino do mesmo. Tem-se que levar em consideração uma série de outros fatores, como por exemplo, o conhecimento desse indivíduo no que se refere à intensidade de atividade física que crianças de diferentes idades podem suportar. Em diversas ocasiões vi crianças das mais tenras idades correndo longas distâncias em preparação para atividades físicas, numa alusão de que em qualquer faixa etária resistência aeróbica é fundamental e ela somente é adquirida através de corridas de longa distância. Situações como essa são fruto de concepções errôneas de instrutores que simplesmente transferem as crianças experiências que tiveram no passado, independentemente da sua relevância e aplicabilidade a determinada faixa etária. É preciso valorizar as pessoas que se preparam especificamente para desempenhar essa função na sociedade. O fato é que, quando meu carro quebra não o levo ao dentista para que ele seja consertado e sim ao mecânico.

4- Dar sua própria contribuição no tomar das decisões

É importante que desde cedo instrutores e pais ofereçam as crianças à oportunidade de opinar nas questões que dizem respeito a elas próprias. Por exemplo, que esporte jogar, ou em que posição jogar, ou ainda que número de camisa usar. Pais devem ter muito cuidado para que não obriguem, mesmo que indiretamente, seus filhos a viverem seus sonhos ou reviverem sua história. Mais do que isso, crianças devem ser indagadas sobre o que mais gostam de fazer durante os treinamentos da semana. Evidentemente um certo filtro tem que ser estabelecido pelos instrutores porque o objeto de desejo das crianças não será sempre possível ou saudável (que tal substituirmos água por refrigerante nos intervalos dos treinos???). Além disso, muito se aprende em situações em que opiniões são contrariadas. Mas não custa nada abrirmos espaço para crianças participarem no tomar das decisões, mais do que isso incentivá-las nesse processo. Ambientes assim se transformam então em celeiros de líderes onde a autoconfiança e o pensamento crítico são estimulados e propagados.

5- Divertimento

Certamente esse é um dos principais direitos da criança no ambiente esportivo. Partindo-se do princípio de que crianças praticam determinado esporte por livre e espontânea vontade (o que infelizmente nem sempre acontece) essa atividade esportiva deveria proporcionar a elas prazer, divertimento e alegria. Porém, na medida em que os adultos começam a influenciar esse ambiente, impondo as crianças cobranças que não são cabíveis a sua natureza de criança, esses elementos são furtados das mesmas fazendo com que aquela atividade que deveria ser prazerosa, divertida e alegre perca totalmente o seu sentido. Ganhar ou perder, jogar bem ou mal, tudo isso deve estar em segundo plano quando o assunto é "criança praticando esporte". O principal objetivo de pais e instrutores nesse ambiente deve ser o sorriso estampado no rosto de cada criança antes, durante e depois de cada atividade, prova irrefutável de que esporte e diversão estarão de mãos dadas.

6- Respeito a sua condição de criança

Crianças jogam e brincam como crianças e tem todo o direito de o fazerem sem que nenhum adulto exija delas um comportamento que não seja compatível com a sua idade. Muitas vezes adultos criam um ambiente de competição excessiva que é desumano para certos grupos etários. Esses ambientes acabam por intimidar muitas crianças que perdem a naturalidade e a criatividade na prática do esporte. No fim das contas se transformam em pequenos adultos de 8, 9, 10, ? anos de idade. Crianças são e sempre serão crianças e assim devem ser tratadas como tal. Afinal terão muito tempo para serem adultos quando crescerem.

Até a próxima!

O texto publicado neste artigo é de responsabilidade do autor, e pode nao expressar a opiniao total ou parcial do Portal Sorocaba On-Line S/C Ltda sobre o assunto. Boa leitura!

Neto Canineu

é ex-jogador de futebol profissional com passagens por Corinthians, Fluminense e São Bento. Também é técnico de futebol universitário nos EUA, estando a frente dos programas de futebol da University of the Cumberlands, no estado do Kentucky. Formado em Administração de Empresas, Gerenciamento Esportivo e Educação Física nos EUA (Union College - Kentucky), Neto também faz parte do Programa de Desenvolvimento Olímpico norte-americano e ministra clínicas de futebol por todo o país. Atualmente cursando o MBA, Neto pretende se formar nos próximos dois anos.

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