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Sorocaba, 16 de Julho de 2019

ARTIGOS


O programa de desenvolvimento olímpico

Por: Neto Canineu



No último artigo, enquanto estava apresentando a coluna, assim como minha pessoa mencionei que faço parte do Programa de Desenvolvimento Olímpico norte-americano no estado do Kentucky. Para ser mais preciso, sou treinador da equipe masculina categoria sub-13. Além disso, faço parte da comissão regional do programa. Uma vez que considero fantástico o conceito do programa, resolvi fazer dele nessa semana.

O Programa de Desenvolvimento Olímpico ("Olympic Development Program" ou simplesmente ODP) foi criado em 1977 e tem como objetivo final formar jogadores de futebol de alto nível com potencial para representar os EUA em competições internacionais. O programa serve como base para todas as seleções norte-americanas, tanto no lado masculino como no feminino. Uma das provas da efetividade do programa e o ótimo desempenho das seleções infantis, juvenis e juniores nos recentes campeonatos mundiais. O ODP se desenvolve no decorrer do ano letivo e é reiniciado ao final de doze meses. O programa é composto por três comissões: estadual, regional e nacional. A primeira etapa do programa é a seleção e treinamento dos melhores jogadores de cada estado. Um importante detalhe nesse processo, é o fato de que essa seleção é feita em cada faixa etária, dos 11 aos 17 anos. Assim meninos de 11 anos, por exemplo, competem apenas com meninos da mesma idade, respeitando o fato de que um ano nessa faixa etária representa uma tremenda diferença no quesito tamanho, velocidade, força e até experiência. Dezesseis meninos e dezesseis meninas são selecionados após dois meses de "open tryouts" ou peneiras, como nós costumamos chamar esse processo de seleção no Brasil. Depois disso, esse grupo é treinado por treinadores universitários por um período de três meses. A próxima etapa é chegar a uma seleção regional, que é feita da seguinte maneira: Os cinqüenta estados norte-americanos são divididos em quatro regiões. Cada região então promove uma clínica de uma semana onde são reunidas as seleções estaduais daquela específica região. Ao final dessa clínica, duas seleções regionais com dezesseis jogadores são formadas em cada categoria, uma masculina e uma feminina. Finalmente, esses 64 jogadores e jogadoras, são mais uma vez reunidos para uma clínica semanal, onde são avaliados pela comissão nacional, composta basicamente pelas comissões técnicas das seleções nacionais. Ao término dessa semana, enfim, um grupo de dezesseis jogadores em cada faixa etária é definido, formando assim a base das seleções nacionais.

Logicamente que fazer parte da seleção nacional é o que motiva grande parte dos meninos e meninas que ingressam no programa. Porém, na minha concepção, o mais importante é a formação técnica e moral que essas crianças e adolescentes recebem no decorrer do processo. Mais do que isso, o fato de que os benefícios dessa formação são mais tarde divididos com outras crianças, quando os meninos e meninas selecionados voltam para as suas comunidades de origem. Imaginem o reflexo que o programa faz não somente no desempenho esportivo, mas na vida de uma criança que integra o programa aos 11 anos, e permanece nele até os seus 17.

Como nada é perfeito, o programa é alvo de certas críticas, principalmente no que diz respeito às taxas que são cobradas das crianças a cada etapa de seleção. Os críticos alegam que essas taxas fazem com que o programa seja inviável para crianças de famílias de baixa renda, e que assim, a seleção dos melhores jogadores fica comprometida. Por experiência própria, posso dizer que essas taxas servem exclusivamente para que os custos com viagens e alimentação das crianças sejam cobertos. Além disso, a maior parte das despesas é financiada pelos patrocinadores. O programa também oferece bolsas de estudos para famílias que não possuem os recursos necessários para pagar as taxas de inscrição e viagens, de tal maneira que independente da classe social, todos tem a mesma oportunidade.

Surpreendentemente, o ODP é exclusivamente desenvolvido na área de futebol. Isso se deve ao fato de o programa ter sido originalmente projetado com o intuito de popularizar e desenvolver um esporte, que naquela época, era pouco conhecido e praticado no país, com exceção de algumas isoladas áreas cosmopolitas nos estados de Nova Iorque, Flórida e Califórnia. Particularmente, penso que esse é um programa modelo, e que não só poderia, como deveria ser desenvolvido em todas as modalidades esportivas, independente da necessidade de popularizar um esporte em particular. Isso porque, mais do que um veículo de popularização, o ODP e uma ferramenta para o desenvolvimento do esporte em geral e para a formação de atletas de alto nível em longo prazo.

Gostaria de um dia ver um programa desse quilate implementado em nosso país. Certamente temos inúmeros meninos e meninas com potencial para se tornarem grandes atletas internacionais, seja na modalidade futebol, tênis, atletismo ou natação. Confio também na nossa capacidade em formar e desenvolver esses eventuais atletas mirins. O fato é que, esporadicamente, o esporte nacional se depara com casos como o de Joaquim Cruz no atletismo, Gustavo Borges na natação, e Gustavo Kuerten no tênis, que mesmo sem a devida infra-estrutura e organização, alcançam a glória no cenário internacional, prova que o talento e a qualidade para desenvolvê-lo existem em abundância em nosso país. Talvez um programa nos moldes do ODP norte-americano seja o caminho para formar atletas como os mencionados acima, mas produzindo-os em escala industrial.

Quando o talento se alia a qualidade de instrução e a infra-estrutura, o sucesso é quase tão certo quanto dois mais dois são quatro.

Até a próxima!

O texto publicado neste artigo é de responsabilidade do autor, e pode nao expressar a opiniao total ou parcial do Portal Sorocaba On-Line S/C Ltda sobre o assunto. Boa leitura!

Neto Canineu

é ex-jogador de futebol profissional com passagens por Corinthians, Fluminense e São Bento. Também é técnico de futebol universitário nos EUA, estando a frente dos programas de futebol da University of the Cumberlands, no estado do Kentucky. Formado em Administração de Empresas, Gerenciamento Esportivo e Educação Física nos EUA (Union College - Kentucky), Neto também faz parte do Programa de Desenvolvimento Olímpico norte-americano e ministra clínicas de futebol por todo o país. Atualmente cursando o MBA, Neto pretende se formar nos próximos dois anos.

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