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Sorocaba, 16 de Julho de 2019

ARTIGOS


A dança dos técnicos

Por: Neto Canineu



Desta vez não demorou muito. Apenas uma rodada foi suficiente para derrubar o primeiro técnico da 35a edição do Campeonato Brasileiro de Futebol. Péricles Chamusca, ex-técnico do Goiás, é apenas mais uma vítima da total falta de organização e planejamento enraizada na estrutura do futebol nacional. É difícil de acreditar que exista um abismo tão grande entre a qualidade do futebol dentro das quatro linhas e a qualidade e preparo daqueles que cuidam dele nos bastidores. O Brasil é mundialmente aclamado e respeitado pelo seu futebol, condição adquirida através da conquista de cinco títulos mundiais, dois vice-campeonatos, e inúmeros títulos mundiais nas categorias menores. Porém essa posição de destaque internacional, merecidamente alcançada, disto a completamente do cenário interno do futebol brasileiro, onde agremiações são administradas por torcedores, jogadores não são pagos em dia e treinadores são demitidos ao menor sinal de instabilidade.

A rotatividade de técnicos no Brasil é impressionante e inquestionavelmente incomparável. No Brasileiro do ano passado somente duas equipes, dentre as 24 que disputaram o torneio, mantiveram seus treinadores durante toda a competição (Goiás e Coritiba - este último "inexplicavelmente" ainda mantém Antônio Lopes no comando da equipe). Ocorreram nada menos do que 71 trocas de treinadores durante toda a competição. Somente a equipe do Guarani de Campinas, por exemplo, teve quatro técnicos diferentes no decorrer das 46 rodadas do torneio. Este ano 16 dos 22 participantes do torneio já trocaram de treinadores pelo menos uma vez. Destaque para o Palmeiras com duas trocas.

A cultura do imediatismo precisa dar lugar ao bom senso. Em média três derrotas consecutivas são suficientes para acarretar a demissão de um treinador na atual conjuntura do nosso futebol. O que mais incomoda é o fato dessas decisões serem tomadas pelos mesmos dirigentes, que ao assumirem seus cargos diretivos dentro do clube, fazem questão de carregar a bandeira do "profissionalismo". Evidentemente existe pressão por parte de torcedores e imprensa para que uma atitude seja tomada após sucessivos fracassos dentro do campo, mas a demissão do treinador não é a melhor solução, como o atual quadro indica. Se fosse assim Grêmio e Guarani, recordistas na troca de técnicos no ano passado, ainda estariam na primeira divisão. Ao treinador precisa ser oferecida a oportunidade de montar o seu próprio time anteriormente ao início da temporada, com a contratação de jogadores que se encaixem melhor no seu perfil e filosofia de trabalho. E tão importante quanto isso, a possibilidade de desenvolvê-lo e evoluí-lo no decorrer de uma temporada, através de vitórias e derrotas. E tempo, meus caros, é condição primordial para que isso aconteça. Ao dirigente é preciso competência para escolher o treinador que melhor se adeque as condições do clube; personalidade para mantê-lo no cargo por um período suficiente para que ele possa desenvolver seu trabalho; e inteligência para compreender que derrotas fazer parte desse processo. Pessoalmente penso que um ano é o tempo mínimo para que um treinador possa desenvolver seu trabalho adequadamente.

Intencionalmente mencionei o caso de Péricles Chamusca no começo do artigo, porque ele retrata bem a verdadeira falta de critério na chamada "dança dos técnicos" que assola o futebol brasileiro. Péricles foi recentemente demitido pelo Goiás, clube este que após dar mostras de profissionalismo no ano passado, ao manter Celso Roth no comando da equipe durante toda a temporada, volta a estaca zero nesse quesito. Trata-se de um jovem treinador que tem provado sua capacidade ao obter ótimos resultados pelos clubes por onde passou. Foi vice-campeão da Copa do Brasil com o então modesto Brasiliense em 2002, e no ano passado surpreendeu o país ao ganhar com o pequeno Santo André o título da mesma Copa do Brasil, ao bater o Flamengo em pleno Maracanã, e levar o clube do interior paulista à Taça Libertadores de América. Contratado pelo Goiás no início do ano, levou o time às finais do Campeonato Goiano, onde após dois empates consecutivos contra o rival Vila Nova, a equipe perdeu o título por ter pior campanha na fase de classificação. Teve ainda a chance de dirigir a equipe na primeira rodada do campeonato brasileiro, onde obteve uma excelente vitória fora de casa. Mesmo assim acabou demitido.

Por favor, alguém me explique o sentido dessa decisão! Sinceramente não encontro razões para que alguém duvide da capacidade desse indivíduo em conduzir uma equipe de futebol. Os dirigentes do Goiás certamente concordam comigo, pois o contrataram para dirigir a sua equipe. Porém a estúpida busca por resultados imediatos, pecado capital no conceito de profissionalismo dentro do esporte, fez com que os mesmos dirigentes o demitissem após perda do título estadual. Um pouquinho de bom senso faria com que a perda do título se transformasse na conquista do vice-campeonato, e certamente asseguraria ao clube a permanência de um treinador competente que a longo prazo muito provavelmente levaria o clube a grandes conquistas. Infelizmente esse é apenas um exemplo de uma situação que é lugar comum no nosso futebol, mas que é vista como sacrilégio em outras partes do mundo. Os ingleses se orgulham do escocês Alex Ferguson que comanda o Manchester United por quase duas décadas. Certamente esse é um caso extremo de sintonia entre clube e treinador, mas o fato é que, com raras excessões, nos países onde o futebol é realmente levado a sério todo treinador tem no mínimo uma temporada para provar o seu valor. Em decorrência disso, muitos técnicos brasileiros debandaram para outros países, não somente por causa de uma melhor compensação financeira, mas principalmente pela possibilidade de usufruem de estabilidade no cargo, inexistente no Brasil. Entre eles está Toninho Cerezo que comanda o Kashima Antlers do Japão por mais de cinco anos.

Finalmente é importante frisar que a classe dos treinadores, apesar de vítima, também tem uma parcela de culpa nessa situação. A verdade é que a "lei de Gerson" impera e cada um quer ganhar o seu. Técnicos não demonstram a menor fidelidade pelas agremiações que defendem e trocam de clube como trocam de roupa. Qualquer proposta financeira ligeiramente mais vantajosa é suficiente para, na maioria das vezes, fazer um técnico mudar de clube. Eles são outros que adoram falar em profissionalismo, mas somente na base do "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Outro problema é que não existe coesão dentro da classe, que unida certamente poderia fazer muito para alterar essa situação, como por exemplo, estabelecendo um padronizado tempo mínimo de contrato e impondo severas multas rescisórias em caso do não cumprimento deste. Enquanto isso não acontece, preparem o salão porque a dança dos treinadores no Brasileirão 2005 vai começar, ou melhor, já começou.

Até a próxima!

O texto publicado neste artigo é de responsabilidade do autor, e pode nao expressar a opiniao total ou parcial do Portal Sorocaba On-Line S/C Ltda sobre o assunto. Boa leitura!

Neto Canineu

é ex-jogador de futebol profissional com passagens por Corinthians, Fluminense e São Bento. Também é técnico de futebol universitário nos EUA, estando a frente dos programas de futebol da University of the Cumberlands, no estado do Kentucky. Formado em Administração de Empresas, Gerenciamento Esportivo e Educação Física nos EUA (Union College - Kentucky), Neto também faz parte do Programa de Desenvolvimento Olímpico norte-americano e ministra clínicas de futebol por todo o país. Atualmente cursando o MBA, Neto pretende se formar nos próximos dois anos.

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