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Sorocaba, 18 de Novembro de 2019

ARTIGOS


Minha Primeira Vez na Índia

Por: Cíntia Soares



Minha Primeira Vez na Índia

Fevereiro e Março de 2016 - Tiruvannamalai e Rishikesh

Namorando a viagem o ano passado todo quando via seu anúncio... decidi ir!

Com coragem assumir o sonho que nem era capaz de dizer que tinha.

Fui conversar com meu marido sobre a possibilidade, ele me questionou - referindo-se ao livro que tanto estimo “Comer Rezar e Amar” - se a Índia era o Rezar ou o Amar, já que o Comer ele sabe que é na Itália. Firmemente respondi: É o Rezar! E assim eu estava liberada. Radiante!

O que a Índia irá me trazer? ecoava em meu pensamento, já que trata-se de uma viagem muito espiritual, autoconhecimento, aproximação do sagrado. E como este grupo não era turístico, ficaríamos num Ashram, numa cidade do interior, estudando Vedanta (sabedoria milenar das sagradas escrituras) e praticando Yoga.

Junto com o recibo de pagamento da agência de turismo veio o diagnóstico da minha mãe: tumor gravíssimo no pâncreas em estágio bem avançado por todo abdômen.

No hospital, meu corpo tremia inteiro, como se ele se antecipasse o que os médicos diriam, sem saber o que viria eu tremia. Era incontrolável, parecia uma dança do esqueleto, um chacoalhão! Enquanto minha mente tentava aparentar que havia estrutura para aguentar tamanha sentença que caía sobre meu irmão e mim. Estávamos ali diante de algumas medidas emergenciais importantes a serem decididas e também tomados por uma profunda tristeza.

Percebi que “meu embarque” foi imediato.
Instantaneamente comecei a Rezar, para que todo o sofrimento e dores fossem amenizados. Não foi isto que eu tinha dito ao meu marido que iria fazer neste período?

Para estar no Ashram eu precisaria me ausentar de casa. Foi isso o que aconteceu, marido e filho agora tinham muito menos da minha presença, minha clínica, meu lar, minhas atividades, meu sonho, minha viagem, tudo ficou para depois. O “eu” e o “meu” foram os primeiros de quem me distanciei.

Os dias com minha mãe estão lotados de laboratórios, de exames, farmácias, consultórios, médicos, sessões de quimioterapia.

E também de aproximação, companhia, aplicações de Reiki, mantras, orações. Gratidão. Meditação. Lágrimas.
Muitas pessoas amorosas e solícitas estão ao nosso redor fortalecendo, acompanhando, vibrando. Auxiliando.

Minhas expressões mais constantes são: “pode deixar que eu faço, levo, pego, estarei aí, vou, posso!” Eu aplico as injeções (que precisariam ser diárias). Não sei bem de onde veio esta voz, quando alguém tinha que assumir estes compromissos, eu disse que faria, já que eram necessários.

Nos momentos de mais aflição sei que meu medo surge como uma gigante sucuri que vem comprimindo cada um dos meus ossos. A tensão se instala e vem subindo, me espremendo. Dói muito.

Se no livro “As Aventuras de Pi”, ele menciona que de tudo o que viveu, o que mais doeu foi não ter a despedida com o tigre Richard Parker, diferentemente posso dizer que a nós foi dada esta oportunidade. Despedir-se com amor.

Quando sabemos que em breve ficaremos sem alguém, que as coisas se transformarão, tudo muda! As alterações que surgem dependem de como enxergamos este fato. Torna-se comum o carinho, ternura, paciência, vontade de estar junto. Simplesmente estar junto.
Cada palavra da pessoa é valorizada, ouvida, respeitada.

Por que não vivemos com esta consciência constantemente?

Já que tudo é impermanente.

Já que de fato nunca sabemos quando não nos veremos mais.

Por que ignoramos esta única verdade? De que sempre pode ser a última vez que eu o encontre, converse, escreva, abrace, esteja junto.

Se isto ficasse estampado em minha mente, sendo lembrado, teríamos um mundo de muito mais amor, ternura, respeito e valorização uns dos outros.

Chega um momento da vida em que você é convidado ou obrigado, ainda não sei muito bem, a encarar todos os seus medos para só aí se descobrir.

O problema não está em ter medo de morrer, isto é positivo, nos torna cautelosos, precavidos. Faz buscarmos saúde e proteção. O problema é quando temos medo de viver!

Ou nós encontramos o caminho do coração e fazemos as coisas com amor e dedicação espontânea ou vamos pelo caminho do sacrifício e sofrimento.

E isto é medo.

Medo das consequências, medo de se apresentar como é, medo de dizer o que realmente deseja, medo da dor e do sofrimento, de se ver limitado e impotente.

Tem até gente que tem medo de dar certo. Medo de ser bom, medo de romper com velhos padrões. Medo das novas situações. Medo de existir.

A diferença é que na primeira postura as pessoas irão nos respeitar e admirar. Já na segunda, elas irão ter pena de nós.

Surgiu assim o mergulho nas profundezas do meu ser.

Encontrar com o famoso lado “sombrio” que os livros tanto mencionam. Aqueles nossos aspectos fechados a sete chaves, tão bem aprisionados.

E assim encontrei uma garotinha apavorada. Sua face nem era visível, despenteada, arqueada, oprimida. Repleta de amargor por este cárcere em que era mantida, sem voz, sem vez.

Um ser frágil, que nem sequer sabia pedir cuidados, pedir para ser amada, apenas ali recolhida em sua tristeza, soterrada em críticas e julgamentos, de tudo que já ouviu, sentiu-se inferior, negativou-se.

Mas só aí, ao me ver assim, esta faca fincada no peito, foi possível começar arejar, iluminar-se.

Como se faz com um bichinho acuado, selvagem, tentando aproximação sutil, leve, envolvendo-a de muito amor, para que soubesse que a fase de maus tratos chegara ao fim. A partir de agora ela receberia um lugar especial bem no meu centro.

Metaforicamente, como se eu pegasse uma garotinha abandonada e cuidasse muito dela, ajeitando-lhes os cabelos, colocando brilhos por todos os fios, uma roupa limpa, e mais importante que isto, ofertando acolhimento e respeito. Alegria por sua presença. Possibilitando assim uma nova vontade de existir. Viver com coragem.

Aí me senti uma pessoa integrada, não havia mais dualidade, tão comum no conflito interno, como se agora eu realmente me ocupasse. Minha energia se expandiu. Eu acredito mesmo em mim.

Ouvi dizer que o melhor antídoto para o medo é o amor.

E a Índia? “Ah, a Índia está dentro de mim!”, foi o que eu disse ao Pedro Kupfer, mestre do Yoga e organizador do grupo Shantih, quando informei que não iria mais com eles, e que agora era o momento de ser luz com meus familiares.

_/\_ Namaskar!

O texto publicado neste artigo é de responsabilidade do autor, e pode nao expressar a opiniao total ou parcial do Portal Sorocaba On-Line S/C Ltda sobre o assunto. Boa leitura!

Cíntia Soares

De Tudo Um Pouco e Outros Sentimentos Mais

Cíntia Soares - Psicóloga formada na Universidade Paulista e Bacharel em Direito pela Fadi. Realiza atendimentos clínicos com Adolescentes e Adultos. Trabalha com Psicoterapia Breve Familiar, Terapia para Casais e Orientação aos Pais. 

CRP: 06/85912

E-mail: cintia@sorocaba.com.br

Endereço: Clínica PsCí - Rua Recife, nº 259 - Jd. Paulistano - Sorocaba / SP

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