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Avaliação: Honda Fit Twist

Notícia publicada em 08/04/2013



Avaliação: Honda Fit Twist

A Honda sempre foi conhecida por fazer automóveis, antes de tudo, muito eficientes. Aliás, a marca também sempre seguiu um caminho conservador no Brasil. E o Honda Fit é um bom exemplo dessa busca pela eficiência. Mas em 2012, a marca resolveu dar uma ousada em seu perfil conservador e tradicional, com a inclusão de uma versão diferenciada do Fit batizada de Twist, foco dessa avaliação.

Um pouco da história

Quando a Honda precisou lançar um produto compacto no mercado brasileiro, buscou uma solução que misturava o conceito de monovolume com o de um hatch-back. Assim, a primeira geração do Fit ganhou as ruas em 2003. Seguindo um conceito de “máximo para o homem e mínimo para a máquina”, o Fit parecia mesmo um carro desenhado de dentro para fora. E é justamente por isso que o modelo tem aparência de monovolume, visando maximizar ao máximo o espaço no interior do carro. As principais vantagens disso são melhor espaço na traseira para bagagens e uma cabine mais avançada para frente (sobre o motor) melhorando o espaço dos passageiros. Porém, a primeira geração do Fit ainda que eficiente, era considerada feia por muitas pessoas.

Na segunda geração, que chegou ao mercado em 2009, a Honda corrigiu essa questão estética, fazendo do Fit um verdadeiro desejo de consumo. Alias, a oportunidade também serviu para evoluir ainda mais o interior do carro ao mesmo tempo que popularizou a opção do câmbio automático, entre os compactos no Brasil. E isso tudo sempre mantendo a linha conservadora e tradicional da marca.

Entretanto, no salão do automóvel de 2012, a Honda surpreendeu com o lançamento da sua primeira versão de carro “fantasiado”, com o Fit Twist. A marca que sempre passou ao largo das modinhas e carros enfeitados resolveu fazer uma tentativa nesse segmento. E até agora, parece que a receita tem dado certo.

O Twist a mais

O Fit Twist é um tipo de “meio do caminho” entre os modelos tradicionais e os concorrentes de visual aventureiro. Aliás, a Honda foi bem mais coerente com a versão Twist, que a maioria das marcas. Afinal, ela enfeitou o carro para ser mais agradável visualmente, sem dizer que se tratava de um produto aventureiro. E essa receita, certamente surtiu bom efeito no emocional dos clientes.

Tecnicamente falando, a versão Twist não acrescenta qualquer evolução técnica sobre o produto tradicional Fit. Essa nova versão é concebida a partir da versão LX do Fit (a intermediária da gama). Assim o Twist fica um pouco acima da LX, porém abaixo da EX (topo de linha). E ela pode vir equipada com opção de câmbio manual ou automático (ambos de cinco marchas). Outro detalhe é que ela só vem equipada com motor 1.5 litro - 16V i-VTEC Flex, o mais potente da família Fit.

Assim, a Honda trata essa versão como uma família independente do Fit. Para isso, a marca promoveu algumas modificações estéticas. Na parte frontal, destaca-se o desenho exclusivo do pára-choque com detalhes na cor alumínio fosco e nova grade em acabamento de aço escovado. O farol tem efeito máscara negra e os faróis de milha são de série no Fit Twist. Além disso, as lanternas traseiras são translúcidas. Outros detalhes que compõem o visual é o emblema Twist, o rack longitudinal de teto, protetores sob as portas na cor alumínio fosco e retrovisores externos com repetidor da seta. E a mudança termina com rodas de 16 polegadas que trazem um novo design, que é exclusivo em relação às outras versões. Os mais atentos também vão notar uma forração dos bancos em tecido diferente das demais versões do Fit. Um detalhe relevante é que o rack pode ser usado para o transporte de objetos, como bicicletas. Para isso é necessário comprar duas travessas (um acessório vendido na concessionária que custa cerca de R$ 1 mil) e respeitar a carga máxima de 50 kg.

Interior versátil

De resto, o Fit Twist é um Fit LX normal. Mas isso não invalida as várias características positivas, e algumas exclusivas, da engenharia do Fit. Entre elas, uma que merece destaque é o exclusivo conceito ULT (sigla que reúne as palavras “utilitário”, “longo” e “alto”, em inglês). Pra começar, os bancos traseiros têm encostos reclináveis e bipartidos. Eles podem ser rebatidos para ampliar o espaço do porta-malas. Porém eles trazem funções extras. Os assentos podem também ser rebatidos verticalmente, permitindo o transporte de objetos altos como vasos de plantas, com até 1,28 m de altura. Outra característica do Fit é poder inclinar o banco dianteiro e formar um espaço longo no interior do carro que permite, em conjunto com o espaço do porta-malas levar objetos de até 2,4 m de comprimento, como pranchas de surfe. No total são dez configurações de posicionamento do assento, com movimentos para baixo e reverso. Ou seja, esse sistema assegura uma flexibilidade maior dentro do automóvel e, principalmente, uma melhor adequação às necessidades do usuário. O porta-malas, em posição normal oferece incríveis 384 litros (considerando a categoria do carro). Mas todo esse espaço tem um preço: ele foi obtido com a redução do tamanho do pneu do estepe que é de uso temporário. Trata-se de um pneu mais fino (125/70), usado apenas para deslocar o carro até o borracheiro mais próximo.

Outra característica reconhecida do Fit é o interior funcional. Existem diversos porta-objetos, prontos para acomodar as mais diversas necessidades femininas. Destaque para os porta-latas na frente da saída do ar-condicionado. Num dia quente, dá pra manter a bebida gelada por mais tempo. Um porta-luvas duplo é ideal para carteiras, celulares e outros objetos pequenos. De resto, o Fit traz os equipamentos tradicionais, com uma certa economia na sofisticação. O ar-condicionado é manual, o computador de bordo é básico e integrado ao painel, apenas o vidro elétrico do motorista tem a função de simples toque e os espelhos laterais com controle elétrico. Um ponto que deixou bastante a desejar foi a qualidade do rádio que acompanha o carro. Ainda que seja um reprodutor de CDs com tomada auxiliar P2 e conexão USB, a interface é muito ruim. Os menus não são práticos e os ajustes se tornam complicados. A qualidade do áudio reproduzido, também deixa a desejar.

Desempenho

A versão avaliada aqui estava equipada com o câmbio manual de cinco marchas, portanto, a mais esportiva do Fit Twist. Junto com o motor 1.5 litro - 16V Flex, que chega a potência máxima de 116 cavalos no etanol (115 cv na gasolina) desempenho não falta ao compacto. Sua velocidade máxima é de 180 km/h (limitada eletronicamente). A aceleração de 0 à 100 km/h a Honda não divulga, porém pode-se afirmar que o desempenho é bastante convincente para a categoria do carro. Dois detalhes que aparecem logo de cara para quem esta ao volante. A rápida resposta nas acelerações no trânsito e a leveza da direção que tem assistência elétrica. Mesmo com câmbio manual, o Fit tem um pedal de embreagem leve e macio, associado a uma alavanca com engates precisos e curtos. Mas se o desempenho agrada bastante, o consumo não é tão bom assim. O Fit Twist ganha apenas a classificação “C” no consumo do INMETRO. Com etanol, na estrada a uma velocidade média de 120 km/h com ar-condicionado ligado, resultado nunca é melhor que 9 km/l. Na cidade a média cai para cerca de 7 km/l. Com um tanque de 47 litros, a autonomia fica um pouco abaixo da média da categoria.

Dirigibilidade

Ainda no quesito dirigibilidade, o Fit Twist traz mais algumas características positivas. Sua suspensão firme entrega um carro na mão. Tanto na estrada, quanto na cidade, as manobras são justas sem balanço excessivo do carro. Outro ponto muito positivo é a suspensão consistente, que enfrenta buracos e valetas sem tantos problemas. O motorista ainda conta com boa ergonomia ao volante, graças ao banco com regulagem de altura e coluna de direção com ajuste de altura e profundidade. Um senão é a falta de um melhor isolamento acústico para o motor. Com o giro elevado, o barulho do motor invade consideravelmente o habitáculo do carro.

Segurança tradicional

Sob o aspecto de segurança, o Fit Twist traz os tradicionais equipamentos como: air-bag frontal duplo,freios com ABS e disco nas quatro rodas, cintos dianteiros com regulagem de altura e barras de proteção lateral.

Preço e mercado

Barato o Honda Fit Twist certamente não é! Seu preço sugerido é de R$ 57,9 mil. Com câmbio automático sobe para R$ 60,9 mil. E se considerarmos o nível de equipamentos oferecido, a conta parece desfavorável. Porém, pesam a favor do compacto da Honda, uma construção mecânica realmente confiável, um acabamento interno durável e um bom valor de revenda.

É difícil saber se esse modelo terá sucesso no mercado do interior, pois a Honda divulga apenas números de venda nacionais. Apenas as concessionárias locais poderiam comentar sobre a aceitação desse modelo na região. Fica a dúvida.


Fonte: Jorge Augusto e fotos por Marcelo Alexandre


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