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Sorocaba, 23 de Setembro de 2017

CANAL AUTOMÓVEIS

ARTIGOS

A Volkswagen burlou, e daí!?

Por: Jorge Augusto



A Volkswagen burlou, e daí!?

Fraude da gigante VW na América Latina, só serve para “show de mídia”

Por Jorge Augusto

Basta uma rápida procura no Google nos sites brasileiros, para ver o amplo destaque dado a fraude global da Volkswagen, que teve o objetivo de burlar testes de emissões em vários mercados, principalmente EUA e Europa. Alguns sites nacionais se preocuparam até em explorar detalhadamente as punições para os executivos envolvidos. Agora, o que isso realmente muda na vida do consumidor da América Latina, e Brasil. Bom, na prática, não muda absolutamente NADA!

Entendendo o que aconteceu

Recentemente, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação penal contra a montadora alemã por conta de um software utilizado pela marca para fraudar resultados de testes de emissão de poluentes em quase 500 mil automóveis movidos a diesel. A fraude foi descoberta por pesquisadores da Universidade West Virginia. Com o escândalo, representantes da Volkswagen, nos EUA e também na Europa, admitiram o esquema e informaram que o dispositivo eletrônico equipa mais de 11 milhões de automóveis movidos a diesel feitos pela marca e suas subsidiárias em todo o mundo.

Em investigação interna da montadora Volkswagen, diversos engenheiros admitiram ter instalado um software de manipulação em 2008, com vista a maquiar os valores de emissões de gases tóxicos. Naquele momento, o motor a diesel EA 189, que havia sido desenvolvido pela empresa de Wolfsburg desde 2005, estava prestes a ser produzido em série. Naquela ocasião, não havia sido encontrada nenhuma solução para adequar os padrões de emissões especificados com os requisitos de custos do motor. Por esse motivo, foi decidido o uso do software manipulador. Os funcionários interrogados informaram que, de outra forma, não teria sido possível dar continuidade ao projeto de propulsão de grande importância para a companhia. Os motores manipulados foram instalados em carros a diesel da Volkswagen em todo o mundo. Somente na Alemanha, foram afetados 2,8 milhões de automóveis.

E como fica a situação

Fato que a Volkswagen tem um problema sério para resolver na Europa e Estados Unidos, onde os governos são mais sérios, e dão exemplos de proteção ao meio ambiente. Lá, programas de proteção ao meio ambiente e processos de reciclagem são levados mais a sério. E os combustíveis tem melhor qualidade, portanto, menor emissão.

Ainda sim, existem suas ressalvas quanto ao comprometimento com o meio ambiente no primeiro mundo. Afinal, os EUA, historicamente, não parecem tão preocupados em reuniões globais que tratam da preservação do ambiente. Um bom exemplo foi o protocolo de Kyoto, onde os EUA assinaram, mas não ratificaram. Ou seja, o compromisso com o meio ambiente do planeta não é assim tão sério.

Mas vamos esquecer a Europa e os EUA, e focar na América Latina. Por aqui, a questão do meio ambiente é quase uma piada de mau gosto! Nossos governos são os primeiros a dar péssimos exemplos de preservação do meio ambiente. São lixões a céu aberto, milhares de cidades sem nenhum sistema de tratamento de esgoto, centenas de rios em grandes cidades que são verdadeiro esgoto, coleta de lixo precária em centenas de municípios, mínima implementação de reciclagem, controle nulo de uso de agrotóxicos em plantações de alimentos, entre dezenas de outros exemplos que poderiam ser dados.

Ainda na questão do meio ambiente e emissões, o Brasil tem um dos piores combustíveis do mundo. Nossa gasolina chega a ser uma das piores da América Latina. Em qualquer pais desenvolvidos, a gasolina é transparente por conta da sua pureza. Aqui, ela é amarelada pela baixa qualidade de refino. E para dar uma enganada no consumidor, o governo brasileiro “batiza” a gasolina, com 25% de etanol, para reduzir o nível de poluição dela. O diesel também não é diferente. Até pouco tempo atrás, nosso diesel era o S2000, (que tinha 2000 partículas de enxofre por milhão- ppm).

Agora, para dar uma tapeada no consumidor, o diesel mais comum comercializado é o S500 (500 partículas por milhão). E só temos o diesel S10, por conta da imposição de montadoras de caminhões e ônibus, que não tinham mais condição de continuar produzindo motores obsoletos que rodavam com o diesel S2000 e S500. Na Europa, faz muito tempo que só existe diesel S10. Aqui no Brasil, ele só existe por conta de veículos que exigem esse tipo de diesel. E claro, o governo não faz força nenhuma para torna-lo obrigatório em todo o território nacional.

Ai fica a pergunta: Qual o real problema da picape Amarok poluir um pouco mais, do que ela informa no teste de emissão, aqui no Brasil? A resposta é muito simples: NENHUM! Ainda que ela poluísse 1.000 vezes mais, isso seria insignificante em relação as milhões de palhaçadas que existem nos programas de meio-ambiente dos países latino-americanos, em especial o Brasil.

Tão ruim quanto o nosso combustível de baixíssima qualidade são os carros chineses. É importante observar que eles simplesmente não existem em mercados como EUA e Europa. Isso porque, esses carros não conseguem passar nos testes de qualidade, segurança e emissões de mercados sérios como nos EUA e Europa. Mas aqui no Brasil, eles rodam sem qualquer problema, ainda que sejam a sucata da indústria automobilística mundial.

De forma prática para o consumidor brasileiro é muito mais sério um airbag defeituoso que pode matar, um sistema de alimentação do motor que poder iniciar um incêndio, um sistema de freio que pode não funcionar ou dezenas de outros problemas de recall que colocam efetivamente a vida de milhares de pessoas em risco, todos os dias. Mas claro, esses problemas não rendem notícias tão dramáticas, quanto a fraude de emissões da Volkswagen. Aliás, são tratados com certa normalidade nas chamadas de Recall, dentro da mídia nacional.

Mas a emissão fora do padrão da picape Amarok, além de SHOW MIDIÁTICO, levou a VW a realizar um tipo recall no Brasil, para corrigir o problema na picape. No Brasil, só existe Recall obrigatório em questões que envolvem a segurança. E esse não é o caso da picape Amarok.

É ridículo achar que o consumidor típico brasileiro, preocupado com consumo, durabilidade do bem, valor de revenda, desempenho e em alguns casos mais raros com a segurança, vai se preocupar em regularizar a “emissão de gases incorreta” de sua picape. Ainda mais, porque essa emissão não causa nenhum prejuízo prático no desempenho e na economia.

Tirando a meia dúzia dos “ecochatos”, praticamente ninguém vai dar a menor atenção para isso, incluindo o próprio governo brasileiro, que não cuida de assuntos bem mais graves.

Em fim, esse circo todo armado por ai é mais para “inglês ver” (junto com europeus e americanos também) do que para ter algum efeito prático, na vida das pessoas no Brasil. Fato que a fraude da VW não foi algo bonito ou elogiável. Mas aqui no Brasil, um pedido de desculpas público, e a correção da adulteração nos carros a serem vendidos, estaria mais do que bom. No Brasil, existem muitos outros problemas mais sérios de meio ambiente para serem tratados, do que essa irregularidade cometida pela Volkswagen.

Leis são feitas para serem seguidas. Nos EUA e Europa, onde a coisa é mais séria, a Volkswagen terá que responder pela situação, com as devidas punições aos responsáveis. Agora, aqui no Brasil, é ridículo falar em punição. Afinal, mesmo com a adulteração, a Amarok polui muito menos, que qualquer outro veículo à diesel, usando um motor padrão Euro 3, rodando com diesel S500. E esses veículos são perfeitamente legais nos padrões brasileiros.

Com ou sem emissão incorreta de gases, a picape Amarok trouxe uma série de inovações e melhorias para o segmento de picapes médias. Além da tração integral permanente 4x4 4Motion, que garante um nível de segurança muito maior, a picape da Volkswagen introduziu uma série de inovações eletrônicas, que ampliaram significativamente a segurança de seus ocupantes, em condições de dirigibilidade altamente desfavorável.
 

O texto publicado neste artigo é de responsabilidade do autor, e pode nao expressar a opiniao total ou parcial do Portal Sorocaba On-Line S/C Ltda sobre o assunto. Boa leitura!

Jorge Augusto

Jorge Augusto

Colunista do canal Automóveis

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